Um homem espera o sinal verde e começa a atravessar a rua. Ele percebe que um dos caros vai furar o sinal. Ele apressa o passo e atravessa a rua.
Um cientista está atravessando a rua quando o mesmo lhe acontece. Ele pensa: "Força é massa vezes aceleração. Este carro tem uma massa considerável e uma aceleração constante. Detectamos a força através de seus efeitos, uma vez que ela pode alterar (num mesmo referencial assumido inercial) o estado de repouso ou de movimento de um corpo, ou mesmo deformá-lo. Mais aceleração no meu corpo evitará o impacto". Ele apressa o passo na última hora e atravessa a rua.
Um filósofo se encontra na mesma situação. Ele pensa na inconsequência da pressa e na desnecessária, ainda que aparentemente inexorável, desatenção e falta de sentimento de responsabilidade no ser humano. Ele se entristece. Em seguida, lembrando que alguém, apesar de tudo, lembrou de plantar flores no canteiro entre os automóveis, e considerando que alguém no mundo conseguiu gravar determinados discos, ou pintar uns certos quadros, ou escrever seus livros favoritos, ou simplesmente se enternecer com qualquer coisa que seja bela - sem ao menos ser capaz de definir o que é a beleza - ele se ilumina e, se tivesse, tempo, teria sorrido. Ele pensa sobre a morte, introspectivamente paralisado.
On March 14 2010
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helter_skelter
On 06/04/2010
filosofia é mesmo coisa de viadim neh vei.RISOS
se fosse homem de verdade, ou até mesmo se fosse um nerde cientista tinha saído do carro.
mas se o filosofo entrar nmas do puro devir deleuziano, extraído da corporeidade, ele continua paradão, na dele, se se estressar nem extrair de seu corpo nenhuma reação. Tranquilidade.
blondie_x
On 15/03/2010
Amo gatos!!
E adorei o seu texto.
Bom pra gente sempre pensar duas vezes antes de atravessar as ruas correndo, sempre com pressa, nesse caos da cidade.