Direção: Moacir Chaves
Vivemos num tempo em que tudo parece ter sido feito, dito, criado, refeito, redito e recriado... Levar aos palcos um grande clássico, que já rendeu tantas montagens e releituras (das mais geniais às mais medíocres) não é tarefa fácil.
Mas Moacir Chaves parece gostar de desafios. Ele, que já assinou uma bela e elogiada adaptação do "Fausto", agora envereda-se pelas sombras de um dos personagens mais densos e obscuros de Shakespeare.
E escapa com competência e segurança da síndrome de "genialidade" que costuma atacar muitos encenadores modernos que buscam trazer os clássicos à cena, como se "uma nova leitura" fosse indispensável nos dias de hoje. A maior "ousadia" de Moacir Chaves foi cobrir o teto do Teatro Maria Clara Machado com um tule preto e trabalhar as cenas na penumbra e, assim, privilegiar o texto! Para buscar uma maior proximidade com o público, até mesmo a famosa pronúncia do nome do protagonista ganhou mais naturalidade e, ao invés do sotaque britânico entre-dentes, os demais personagens o tratam por "Macbéti"
Fruto de longos estudos, a tradução de Márcio Sattin tem como base, além do original inglês, outras duas traduções (uma delas de Manuel Bandeira), mas o grupo ainda usou como referência diversas outras traduções e autores que analisam o texto, seu autor e os personagens, como Goethe e Hegel.
Para ressaltar a crueza do texto, o diretor optou, inclusive, por evitar abusar dos recursos histriônicos dos atores, mesmo tendo a seu serviço um elenco de 14 atores (em sua maioria) talentosos, liderados por Bruce Gomlevsky e Fabiula Nascimento, como o casal que, obcecado por uma previsão feita por três bruxas, provoca um banho de sangue com o objetivo de cumprir o vaticínio: o nobre Macbeth deve tornar-se Barão de Cawdor e Rei da Escócia, a qualquer custo! Nem mesmo o parceiro Banquo (de quem descenderia uma linhagem de reis, segundo as mesmas bruxas) escapa da sede de poder de Macbeth e sua esposa.
O cenário de Fernando Mello da Costa e Rostand Albuquerque e a iluminação de Aurélio de Simoni seguem à risca o caminho indicado pelo diretor. Além da incômoda penumbra das cenas, com atores muitas vezes contracenando entre sombras - uma referência à "longa noite que nunca encontra o dia" na qual a alma do protagonista penetra, ruídos de sapos e corujas e outros animais noturnos ajudam a criar o ambiente (literalmente) sombrio, propício para as traições e assassinatos urdidos pelos personagens. Nesse cenário nada esperançoso, as bruxas são as figuras mais leves (praticamente as únicas que ainda possuem um resquício de cor no cuidadoso figurino de Inês Salgado), agindo com a mesma simpatia frígida das moças de tele-atendimento, mas não pensem que isso é menos assustador, pois os seus sorrisos não se sustentam por muito tempo e nem conseguem esconder a tragédia que se anuncia. No palco, nada mais do que cadeiras desfeitas pelo tempo, com estofados rasgados, envelhecidos. Aves de rapina, no alto dos espaldares, observam tudo: chegam a ser doces, diante do que a maldade humana é capaz. "O bem e o mal é tudo igual", dizem as bruxas entre sorrisos gélidos.
MACBETH - Teatro Maria Clara Machado / Planetário (Rio de Janeiro)
de William Shakespeare
Direção: Moacir Chaves
Tradução: Marcio Sattin
Elenco: Bruce Gomlevsky, André Stock, Anna Esteves, Elisa Pinheiro, Fabiula Nascimento, Gabriel Delfino, Gláucio Gomes, João Velho, Julia Carrera, Katiuscia Canoro, Marcio Freitas, Márcio Vito, Paulo Verlings e Peter Boos
Classificação: 12 anos
Duração: 120 minutos
Foto: Guga Melgar (divulgação)
On November 05 2007
13 Views
gigi_skategirl
On 14/11/2007
Rio de Janeiro,14 de novembro de 2007
Prezados,
Sou da empresa Daniele Dessin (www.danieledessin.com.br), no ramo de bijuterias finas, estamos dando para empresas um desconto ao adquirir nossos produtos em grande quantidade ( presentear seus funcionários, brindes, etc...), as embalagens são um sucesso, e como está chegando as festas de fim de ano estamos fechando pacotes para empresas. De uma olhadinha em nosso site temmos lindas peças estilizadas e mas de 500 modelos de peças de nossa produção, temos também nossa loja virtual( www.ddpresentes.com.br), confira nossas promoções, ou quem sabe até possamos fazer uma parceria entre nossas empresas.
Desde já agradeço;
Atenciosamente,
Marketing- SAC
Gizele Guedes
Daniele Dessin
loucartis
On 06/11/2007
Já tivemos uma situação mais digna que actual, infelizmente tem vindo a detiorar-se de há uns anos a esta parte chegando ao ponto de a profissão de Actor não ser reconhecida a não ser para efeitos fiscais. Temos 2 sindicatos da classe que infelizmente não funcionam como deveriam e seria normal. Hoje somos meros trabalhadores independentes sem estatuto profissional.
Excelente obra. Por curiosidade da maioria das vezes que essa obra foi levada a cena, existiram focos de incendio nos Teatros
Uma doce 3ª. Feira
Abraço
Luis
biradantas
On 06/11/2007
É! Transformei o flog num ponto de infos sobre quase tudo (rs)!
Ah, agora vi o crédito. Dê os parabéns a ele!
flor_de_palco
On 06/11/2007
Grande texto!
E pelas expressões devem ser fantásticos!
Beijosssssssssssssssss
neilimarte
On 05/11/2007
Olá, Daniel!
Há tempos que não nos comunicamos, hein!
Como sempre bombando nos seus cliques.
Belo flagrante!
PARABÉNS!
Abração!
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