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It's a secret - single - 26/04/2012 (0 years old)
Member since 16/01/2005
Take Me: Um power trio de rock com alma! Há quase 10 anos, em 1999 para ser mais exato, numa visita à Vitória presenciei o ensaio de uma banda que fazia um som não muito comum no Brasil. Enquanto grande parte do underground nacional se enveredava pelo hardcore norte-americano (principalmente o californiano), o que eu vi/ouvi naquele quarto de apartamento se encaixava mais no post-hardcore de Hot Water Music, Texas Is The Reason, Sunny Day Real Estate e Jawbox. Voltei à capital paulista pensando naqueles garotos (da minha idade) que tinham formado o grupo um ano antes e que emergiam do punk, mas com ecletismo e influências tão improváveis. O Take Me era, e é, formado por Jean Dias (voz/guitarra), Jorge Fernandes (baixo) e Marcelo Buteri (bateria) e sua combustão de ritmos continua impressionando. Nessa quase década que se passou, junto dela outros músicos se uniram ao trio inicial e se foram (assim, como o idioma inglês) deixando de algum modo sua contribuição. Mas em 2003, foram os três que gravaram o elogiado Bem-Vindo, Inverno, lançado pelo selo carioca Manifesto Discos, trazendo 12 composições. Entre os anos de 2006 e 2007, o Take Me cruzou diferentes estúdios e, sem pressa, foi registrando o amadurecimento de sua sonoridade. A banda esteve no Dourados, com Marcello Índio Cardoso (Mukeka di Rato, Dead Fish, Noção de Nada), no Casa da Floresta, com Ricardo Mendes, nos Estúdios de Felipe Gama e Leonardo Ramos (guitarrista que fez parte do disco, mas que seguiu seu rumo) e no Tambor, com Rafael Ramos (Pitty, Los Hermanos, Cachorro Grande, Capital Inicial) e Jorge Guerreiro (mundo livre s/a, Matanza, Gabriel O Pensador). Da união desta caminhada com as novas e velhas referências, nasceu A Divisão do Espaço, mixado e masterizado pelos dois últimos produtores citados, no renomado estúdio carioca Tambor. Os tempos são outros, os membros do Take Me viveram a época da fita-demo, depois a popularização do CD, assim como o crescimento do cenário independente e as mudanças do mercado fonográfico, então optaram por colocar o álbum inteiro para download gratuito na internet, inclusive com a arte gráfica (capa, encarte com as letras, fundo e rótulo do CD) assinada por Luciano Ramos, Gabriel Gianordoli e Werllen Castro. O gesto mostra mais que o desapego material (físico), mas denota a postura de quem acredita no que faz (e o faz por amor) e está mais interessado em mostrar seu som que ser a próxima banda da vez. Nas 12 faixas, o trio deixa claro que aqueles nomes do post-hardcore, que circundavam os ensaios no apartamento dos Buteri, continuam por aqui e ganham força ao lado de outros mais recentes, como Sparta, Taking Back Sunday e The Draft. Trilhos e Vagões inaugura o disco e a nova fase, trazendo uma pegada forte, riffs melódicos e uma lúcida melancolia. A seqüência, Sua Evolução, também é assim, porém acrescida de um paredão de guitarras, e A Última Geleira adota esta linha. Seguindo os ensinamentos de Foo Fighters e Pearl Jam, o Take Me nunca teve receio de cruzar a fronteira do rock e soar levemente pop, bastando que a canção pedisse que assim fosse como na ganchuda Loja de Corpos, na épica Entardecer e na bonita Longe de Mim. Se tivesse uma grande gravadora por trás, Seu Nome Aqui: ____ seria o hit pronto para tocar nas rádios, como um pop punk energético do Fall Out Boy, só que sem apelo visual. Outra que faria sucesso no dial seria ES.te Lugar, onde recebem Rodrigo Lima, vocalista do Dead Fish, para um debate melódico existencial entre capixabas, usando a terra natal como metáfora. Não é fácil ter a tensão que o Deftones injeta nas canções, assim como a genialidade de um compositor como Page Hamilton (Helmet), mas o Take Me sabe dosar isso, vide: Unilateral, Mais Outubro e a apoteótica O Erro do Certo, que encerra o CD. Próximo Round espelha o conteúdo das letras, envolvendo reflexões pessoais e sentimentos sutis do dia-a-dia. Os nomes de Jean Dias, Jorge Fernandes e Marcelo Buteri já estão marcados no cenário do rock capixaba, tendo conquistado através do Take Me e de outras bandas locais importantes que eles fizeram parte, como Kali Yuga, Dead Fish, Undertow, Crivo, [mono], Antemic e Os Pedrero. Vale salientar, que o nome original do grupo era Take Me To The River, homônimo à canção de Al Green, mestre do soul. E ao ouvir A Divisão do Espaço, não seria ousadia traçar um paralelo e classificar o Take Me como um rock soul power trio, afinal de contas são três caras tocando rock com acima de tudo alma! Ricardo Tibiu Julho/2008