Continuação do post do dia 16 de Maio de 2010:
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Sofia caminhava agora para casa num passo acelerado enquanto o hospital psiquiátrico desaparecia por detrás das lágrimas que esta ia deixando pelo caminho. Era quase como se fossem um trilho de migalhas para nunca esquecer o caminho de volta para o seu coração enegrecido pela loucura do amor. Medo era o sentimento que a dominava. Medo de amar um louco, que o louco não a amasse, que o louco a enlouquecesse. Sacudiu a cabeça tentando afastar os pensamentos em que se embrenhava e foi para casa. Antes de se ir deitar bebeu o seu tradicional copo de Brandy, que se esvaziava de álcool enquanto se enchia de dor, acompanhado de um Lucky Strike bem batido tal como gostava. Completava agora a sua rotina nocturna adormecendo de lareira acesa com a tv ligada.
Acorda com alguém a chamá-la - a voz distante era de uma senhora. Quando olha à volta apercebe-se de que voltara a ter as suas alucinações, provavelmente devido ao facto de voltar a esconder a sua medicação debaixo da língua. Costumava alucinar com o passado, como que se voltasse atrás no tempo. Tentava movimentar-se à medida que ia acordado mas os seus membros pareciam presos. No quarto branco estava uma senhora branca de bata branca com uns comprimidos brancos.
- Medicação da manhã! – gritou a enfermeira.
- Dia diferente, a merda de sempre – disse Sofia que de seguida foi esbofeteada pela enfermeira.
- Seus doidos varridos! Só se sabem queixar!
Entretanto a hora da visita chega e com ela chega o André. Sofia contava cada segundo para estes momentos com ele, como se tratasse do seu éden em pleno inferno.
- Porque é que eu vim parar aqui André? Porquê? Só me apetece chorar, não tenho motivos para sorrir! Porque é que estou aqui? – Sofia chorava desesperadamente.
André limitou-se a sorrir – calma meu amor, brevemente vamos estar juntos e nada mais nos vai separar, muito em breve.
- Mas quando?
- Tu decides o quando – disse o rapaz, virando costas enquanto saia pela porta.
Sofia sentia-se confusa com estas ultimas visitas de André. Saia tão repentinamente e com palavras tão sem sentido. Enquanto Luísa, uma enfermeira do hospital, a levava de volta para o quarto não resistiu à tentação e perguntou – Com quem espera falar todos os dias? Porque é que todos os dias insiste em ir à sala de visitas se ninguém aparece para a ver?
- Você está a falar do quê?! Todos os dias o meu namorado me visita! – Reclamou Sofia revoltada com a sua ignorância.
- Sofia, o seu namorado morreu há 2 anos neste hospital…
On August 30 2010
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escritas_de_cafe
On 30/08/2010
porra! o meu coração bateu com mais força. não pares nunca de me dar essas tuas tão boas palavras!!
antena_zero
On 30/08/2010
wow, o secundário deixa saudades :)
eu estou a reclamar mas tambem as vou sentir, de certeza.