Foto: King Pinguin, South Georgia
Um pouco da minha história 31
- continuação -
Eu não tinha nenhuma dúvida a respeito das suas ameaças. Ele iria cumprí-los a rigor. Isso tudo trouxe uma grande vantagem na minha vida futura: disciplina. Se não fosse por ela, eu nunca teria vencido na profissão de fotógrafo. Acho que ela fora uma verdadeira benção: tem horas na vida, que ela é o nosso único aliado.
Uma das maiores dificuldade que se enfrenta, quando se escolhe uma profissão instável assim, é a dúvida que se sente: estou sendo insistente e perseverante ou extremamente teimoso? Será que eu tenho realmente o talento suficiente para conseguir vencer, ou eu estou parecendo um garoto teimoso, que se recusa a aceitar os sinais que a vida lhe dá? Essa pergunta insistia em martelar na minha cabeça. Muitas pessoas que conviviam comigo, viam minha angústia e o meu sofrimento e por isso sugeriram para desistir. Hoje eu compreendo que a maioria que age assim, não faz isso por maldade; ela não aguenta te ver assim, porque tem dificuldade em admitir a sua impotência diante diante da situação do outro. Cada vez em que recebi esse tipo de sugestão, eu me senti pior ainda. A questão a ser enfrentada era mais profunda: Se eu largasse a fotografia, eu estaria desistindo de mim mesmo. Tinha que haver um outro caminho; eu não queria voltar para as aulas, mas havia meses que eu mal pagava as contas.
Acho que essas foram as escolhas mais difíceis em minha vida. Foram momentos de profunda solidão. Eu me sentia incompreendido. A minha auto-estima ia de mal a pior. Em alguns momentos, parecia que não havia luz no final do tunel. Alguns amigos davam apoio do jeito que podiam, mas o trabalho que eu tinha que realizar era interno. Um deles fora Daniel, fotógrafo bem sucedido. As vezes ele me passava trabalhos que ele não queria fazer. Muitas coisas que eu aprendi, foi com ele. As vezes eu dava algunas assistências para ele. Ele se parece um pouco comigo: não da nada de mão beijada, pelo contrário, ele segura a informação até o último momento. Me dava esporros e mais esporros. Uma vez eu perguntei para ele se eu podia revelar um filme de determinada forma. "Experimenta!", fora a sua resposta. O filme saiu velado. Perguntei para ele se ele sabia disso. "Sim, mas você está querendo as coisas muito de mão beijada, você precisava aprender por você mesmo!"
Eu não sabia se eu ficava puto ou chateado. Cada filme era um gasto, era dinheiro que eu não tinha. Mas esse fora certamente um dos mais importantes filmes. Ele tinha razão, eu precisava tomar decisões por mim mesmo. Ele jamais permitiria um "encosto", assim como eu não gosto de pessoas que tentam babar meu ovo. Uma outra vez, eu mostrava uma foto para ele, que eu não tinha retocada ainda. Como há poeira em tudo que lugar, ela grudava no filme e o que é feito com um click no photoshop hoje, precisava ser feito a mão, pintando a foto. Ele olhou e perguntou: "Isso é o melhor que tu sabe fazer? Se for, é lamentável!" Eu ainda tentava argumentar, mas ele complementou dizendo que era necessário aprontar todas as fotos, antes de mostrá-las para alguém.
- a continuar -
On February 07 2012
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male
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04/04/1966 (46 years old)
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Rio de Janeiro,
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