Eu realmente melhorei muito nos últimos anos. Mantenho distância daquele rascunho de gente que eu era antigamente. Introspectivo no sentido negativo da palavra, desengonçado, desajustado, inspirava frustrantes suspiros de impaciência até daqueles que, por algum motivo que jamais entenderei, insistiam em estar ao meu lado. Por isso tenho tanta dificuldade de me olhar no espelho, especialmente se há mais pessoas refletidas na imagem. Lá está aquele irritante "eu" de antes.
Às vezes eu penso que o agora, o hoje, é um reflexo da nossa memória lembrando de uma época antiga, uma nostalgia inebriante. Mas ao mesmo tempo, não me sinto pertencente ao futuro. Eu me sinto como uma antiga e apagada fotografia de uma pessoa falecida, observada por pessoas que apenas ouviram falar de mim.
Minha falta de ajuste ao mundo é aparente, e peço desculpas pelas minhas ações. Essa diferença por vezes me cansa. Em alguns dias eu queria apenas deitar na grama, observar as nuvens no céu, e não fazer nem pensar mais nada. Não me ver no espelho. Não pensar no futuro nem no passado. Não ser mais eu.
On October 01 2009
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