FOLCLORE POTIGUAR ENCONTRA-SE DE LUTO
O poeta e folclorista Deífilo Gurgel faleceu na manhã desta segunda-feira (6), às 11h50. Deífilo faleceu aos 85 anos, após 17 dias de internação na UTI do hospital PAPI, em decorrência de falência múltipla dos órgãos. A notícia foi dada pela própria família Gurgel, em nota de falecimento publicada na internet, e a informação confirmada pela direção do hospital PAPI, onde o pesquisador estava internado na UTI desde o último dia 21 de janeiro.
O ROMANCEIRO POTIGUAR
Deífilo Gurgel é tido como um dos maiores folcloristas brasileiros e, no momento, se preparava para o lançamento do novo livro: O Romanceiro Potiguar. A obra era considerada a mais complexa do autor, que dedicou 10 anos de pesquisa, tendo registrado 300 romances medievais, cantos de incelências que ele coletou durante 1985 e 1995, e outros mais recentes, com algumas atualizações nos anos seguintes, e mais de 100 entrevistas realizadas.
Deífilo Gurgel percorreu o RN para fazer um levantamento minucioso do que ainda restava dos romances ibéricos imortalizados por nomes como Dona Militana, de São Gonçalo do Amarante. "Não imaginava que encontraria tanta coisa!", frisou o autor durante entrevista concedida a TRIBUNA DO NORTE no ano passado - sua pesquisa se contrapõe à constatação de Mário de Andrade, musicólogo e historiador que circulou pela região na década de trinta catalogando as sonoridades nordestinas. "Andrade reclamou de não ter encontrado romances por aqui, mas temos que ver ele passou um mês e meio no RN e andou pouco".
Professor aposentado de Folclore Brasileiro do Departamento de Artes da UFRN, Deífilo recebeu apoio da Universidade para viabilizar sua pesquisa. Descobriu romances que antes só havia registro de versões em espanhol como "Milagre do Trigo", apresentado por Dona Militana. Outro destaque de seu trabalho foi o romance "Paulina e Don João", recitado por Dona Maria de Aleixo em Nísia Floresta. A terceira descoberta destacada por Gurgel foi o romanceiro Pedro Ribeiro, de São Pedro do Potengi. "Seu Pedro conhecia cantigas antigas dos tempos áureos da pecuária potiguar. Cantou vários fragmentos de romances criados por Fabião das Queimadas (1848-1928)", lembrou.
O GUARDIÃO DA CULTURA POPULAR
Há exatos 40 anos ele descobriu as cores da cultura popular em São Gonçalo do Amarante, e desde então dedicou-se à trabalhosa - e prazerosa - missão de revelar o que é que o folclore potiguar tem. Exemplo da máxima 'amor à primeira vista', Deífilo Gurgel encantou-se pelo bailado do Boi Calemba Pintadinho, do Mestre Pedro Guajiru (grupo que hoje está sob a batuta do Mestre Dedé Veríssimo), assim que avistou os brincantes em seus trajes cheios de fitas e espelhos, um encontro que mudou para sempre a vida deste guardião das tradições culturais.
"Era lindo ver aquilo (o Boi), me apaixonei na hora quando vi as roupas dos galantes (brincantes) reluzindo ao entardecer, e não larguei mais", disse o pesquisador, folclorista, escritor e poeta no alpendre de sua casa no Tirol. Do alto de seus 84 anos, o experiente Deífilo reconheceu que começou tarde seu trabalho, mas o fato não o impediu de ser visto como autoridade quando o assunto girava em torno do folclore Norte-riograndense. "Depois daquele dia (em 1971), descobri o folclore e comecei a viajar pelo RN para registrar tudo o que estava a meu alcance", lembrou.
E foi justamente para tratar sobre seus registros ainda inéditos que o repórter Yuno Silva, do caderno cultural VIVER, do jornal Tribuna do Norte, procurou - em julho do ano passado - o folclorista, que estava em plena atividade debruçado sobre a obra "Romanceiro Potiguar". Deífilo Gurgel trabalhou há mais de 15 anos nesta publicação, fruto de uma pesquisa de dez anos realizada entre 1985 e 1995. "Essa demora toda é por causa do volume de material coletado durante a pesquisa. É trabalhoso e demorado mesmo, sem falar que vamos nos envolvendo com outras coisas", justificou. "Nem sei quantas horas de gravação cheguei a fazer, mas ouvi uns 300 romances e entrevistei mais de 100 pessoas", enumerou.
Entusiasta de primeira grandeza, Gurgel se disse surpreso com a quantidade e qualidade das entrevistas e das descobertas: "Rodei todo o Estado para fazer esse levantamento do que ainda resta dos romances ibéricos imortalizados por Dona Militana, de São Gonçalo do Amarante. Não imaginava que encontraria tanta coisa!". Ele frisou que sua pesquisa foi de encontro à constatação do musicólogo e historiador Mário de Andrade, que circulou pela região no final da década de trinta catalogando as sonoridades nordestinas. "Mário de Andrade reclamou de não ter encontrado romances por aqui, mas temos que ver ele passou um mês e meio no RN e circulou pouco", disse o potiguar. Vale registrar que foi Andrade quem topou com o coquista Chico Antônio, alçando-o ao patamar onde se encontra até hoje.
FABIÃO DAS QUEIMADAS
A terceira descoberta destacada por Deífilo foi o romanceiro Pedro Ribe
On February 07 2012
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soniafurtado
On 12/02/2012
Excelente homenagem.
O que houve com os comentários, potyguara?
Ainda não procurei ver as minhas fotos nesta nova versão. Espero que todo o coteúdo não tenha se perdido.
Bom domingo.
potyguara
On 07/02/2012
Aos Amigos (as)
por dificuldades técnicas não estou conseguindo comentar nas páginas de voces,
espero que o problema seja normalizado logo mais
abs
nina
valdas
On 07/02/2012
Sinto imenso a perda dessa figura potyguar tão ilustre.
Que aceitem as minhas mais sentidas condolências
pois trata-se de uma enciclopédia cujo conteùdo serve
a humanidade inteira.
Se essa estrela se apagou, ficarão as résteas de sua
passagem pelo planeta Terra para iluminar seus filhos.
V/
40_amelia
On 07/02/2012
Para o senhor o eterno descanso nos braços do Senhor. Para a familia enlutada as minhas sentidas condolências.
Para a Nina um abraço de pesar pois sei que o estimava muito.
Lá no Céu há mais uma estrelinha que brilha.
Beijinhos
potyguara
On 07/02/2012
fonte...
Yuno Silva
www.tribunadonorte.com.br
Texto adaptado para o Potiguarte
potyguara
On 07/02/2012
Na opinião do folclorista, são três as romanceiras de maior importância no RN: Dona Militana, que sabia mais de 30 romances; Dona Jovina Monteiro, conhecedora de outros 20; e Maria de Vito, da praia de Caraúbas. "Maria de Vito não sabia muitos romances, mas tinha algumas raridades para mostrar como a 'Xácara dos namorados', que tem pouquíssimas versões no Brasil", orgulhou-se.
Além dessas raridades, Deífilo disse que o livro trará três romances inéditos: "São romances marítimos do Fandango que escutei de Seu Atanásio Salustino, pai de Dona Militana. São eles o 'Romance Capitão da Armada', Romance do Corsário da Índia', e a 'Xácara da Nau Catarineta'. São pérolas ainda não publicadas em nenhum outro lugar. Igual este livro no Brasil, com essa temática de romances, só outros dois: um de Jackson da Silva Lima (SE) e outro de Doralice Xavier (BA)", garante.
potyguara
On 07/02/2012
Segundo as pesquisas, no RN só há romances de origem ibérica, principalmente portugueses, que representa cerca de 80% de tudo o que se conhece. "Para melhor compreensão, estabeleci uma espécie de classificação dos romances: de Portugal temos o 'Romance Palaciano', que trata das intrigas da nobreza; os 'Romances Religiosos' e o 'Romance Plebeu'. Já entre os brasileiros temos o 'Romance da Pecuária', 'Romance do Cangaço' e os 'Romances Burlescos', cantados nos circos de antigamente", explicou.
potyguara
On 07/02/2012
FABIÃO DAS QUEIMADAS
A terceira descoberta destacada por Deífilo foi o romanceiro Pedro Ribeiro, em São Pedro do Potengi. De acordo com Gurgel, Seu Pedro conhecia cantigas antigas dos tempos áureos da pecuária potiguar. "Cantou vários fragmentos de romances criados por Fabião das Queimadas (1848-1928), mas fiquei impressionado mesmo foi com o 'Cavalo Moleque Fogoso'. Fabião era negro, ex-escravo e analfabeto, mas é o único compositor de romances", garante o folclorista. "Cascudo dizia que Fabião era um poeta medíocre, eu não acho", sentenciou.