ontem foi um daqueles dias especiais pra entrar pra história.
amigos queridos
boa música
bebida gelada
casa cheia
porta aberta
surpresas boas
ausências ruins
dois telefones quebrados
todo o cansaço do mundo no corpo
toda a alegria da vida na alma
obrigada, amigos.
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conforme prometido há meses atrás.
Ontem fiz 30 anos.
Fazer 30 anos é, entre tantas coisas, finalmente reconhecer a total desimportância que você ou o seu aniversário tem para o mundo. Dessa forma, começar uma crônica com a frase ontem fiz 30 anos é de uma sem-vergonhice incompatível com a idade de 30 anos. Esse é o tipo de pensamento que os seres humanos começam a ter com 30 anos.
Até os 30 anos, vivi como se fosse uma entidade incorpórea. Com a idade premiada, vem a descoberta: você mora num corpo e esse corpo não é oco. Aos 30 anos, descobre-se onde fica o fígado, o pâncreas, os rins. Não num livro de anatomia, mas através de pontadas no abdômen. Aos 30 anos, você percebe que seu coração esgarçado não é simplesmente uma metáfora, que ressacas podem durar três dias, e cogita a hipótese de parar de entupir suas veias com lixo. Esse é o tipo de preocupação que os seres humanos começam a ter com 30 anos.
Há dez anos, fazer 30 era simplesmente uma irrealidade tão distante quanto um exame de próstata. Hoje, imagino o que vou fazer da vida quando (ou se) chegar aos 50 preciso começar agora a pagar à previdência, comer fibras, escrever minhas memórias, voltar a correr, ler Em busca do tempo perdido e fazer um check-up dentário. Esse é o tipo de lista que os seres humanos começam a fazer com 30 anos.
Hoje, vejo que aos 20 era um imbecil que não sabia nem dar bom dia a uma mulher, como diria Nelson Rodrigues. Aos 40, espero não chegar à mesma conclusão quando reler essa crônica. E, sobretudo, não me arrepender demais do trecho da minha biografia correspondente à década que começa hoje. Preocupar-se com a opinião que você terá sobre si mesmo no futuro é o tipo de antecipação inútil que os seres humanos começam a ter com 30 anos.
Nos últimos anos da minha já saudosa década-perdida de 20, passei metade dos meus dias fora do Rio de Janeiro. Isso me fez entender com lucidez os motivos pelos quais eu amo (e também odeio) a cidade onde nasci. Com três décadas nas costas, você já sabe qual é a janela de onde você enxerga o mundo, e esse é o tipo de visão que os seres humanos começam a ter com 30 anos.
Aos 30 anos, você sente essa compulsão estúpida por fazer contas: quantos ossos quebrados, quantas linhas publicadas, quantos endereços, quantas vezes pra sempre. E, assim, cede à tentação estéril de buscar algum sentido ao colocar as coisas em perspectiva, ilusão típica de seres humanos que completam 30 anos.
Tudo o que você não é, ainda pode ser a partir dos 30 anos - com óbvias exceções como astronauta, atleta olímpico ou concertista de piano. Ainda dá tempo de escrever a grande obra, ser uma estrela do rock, morar num veleiro e começar a fazer cinema. Esse é o tipo de pretensão delirante e desesperada onde os seres humanos podem, ainda, se refugiar aos 30 anos.
No entanto, algo acompanha os 30 anos que é mais importante do que todo o resto: a convicção cristalina de que seus bons defeitos não tem cura. De que você é um acidente esperando para acontecer desde que nasceu. De que, depois de cada desastre, a vida seguirá - até que acabe. Esse é o alívio possível, essa é a saída essa é a iluminação do homem de 30 anos. E aí ele se aproxima, não do homem de 20 ou de 50, mas do homem de cinco, do homem relaxado, tranqüilo e bem resolvido que era quando tinha cinco anos.
[cuenca]
On March 16 2009
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anaxibia
On 18/03/2009
Querida,
Seus 30 anos cairam exatamente no mesmo dia dos 80 da minha única avó viva. Acabei vindo para Montenegro, pois acredito que terei mais chances de passar mais aniversários contigo, que com ela.
Tentei te ligar na tarde de domingo, mas todas as tentativas foram frustadas. Deixei recado, espero tenha ouvido num momento sobreo. Nos vemos nesse final de semana para eu poder te dar um abraço?
Saudade e mais uma vez o meu parabéns pra você!
debetinho
On 18/03/2009
Lua ... Parabens viu .. foi mal.
Espero pelo menos fazer parte das "ausencias ruins" mas ta feia a coisa por aqui ...
Não to numa fase social ... até por isso que ainda não te liguei ...
Boa sorte nos 30 minha amiga
bj
JP
pretensa
On 17/03/2009
Porra... quando fiz 30 anos tive um ataque, um surto. Lembro que liguei para o pai do meu filho (ainda éramos amigos) e chorei horas...
Depois a gente descobre que é bom pra caraleo.
Beijos e bem vinda, balzaquiana.
paulavillac
On 17/03/2009
atrasada mas parabéns!!!!!quem bom que curtiu muito seu dia!!!!!!!!!!!!!
bjão!!
fiatverbum
On 17/03/2009
É isso
Com 30 anos paramos de dar maus exemplos e achamos que podemos dar conselhos...
camoulin
On 16/03/2009
Lembro desse texto do JP do ano passado, exatamente um mês antes dos meus 30. Sensacional, muito bom lê-lo novamente.
Particularmente, achei uma delícia fazer 30. De-lí-cia. Esqueci do mundo e vivi pra mim.
E, na boa? JP sempre viveu como um bom quarentão... risos. Ainda assim o texto é mto, mto bom!
Parabéns, mocinha. Que tudo se realize no ano que vai nascer!
barbuse
On 16/03/2009
belo texto, mas muda muito, tem perguntas que faço desde os 5, rsrs.
perdi a festa, mas meu espírito estava ai com vc. eu já tô na casa dos 40, hehe.
bjks e parabéns, pretinha.
texture
What is texture?
Texture goes beyond mere pattern or form into something more complex and organic that you could touch, feel and maybe even identify with your eyes closed if your hand were big or small enough. These are visual representations of a non-visual sense: touch.