"Para que serve minha vida e o que vou fazer com ela? Não sei e sinto medo.
Não posso ler todos os livros que quero; não posso ser todas as pessoas que quero e viver todas as vidas que quero.
Não posso desenvolver em mim todas as aptidões que quero. E por que eu quero? Quero viver e sentir as nuances, os tons e as variações das experiências físicas e mentais possíveis de minha existência. E sou terrivelmente limitada.
Contudo, não sou cretina: incapaz, cega e estúpida. Não sou um ex-combatente a passar os dias na cadeira de rodas, sem os braços e as pernas. Não sou o velho mongolóide arrastando os pés ao sair do hospital de doentes mentais.
Tenho muita vida pela frente, mas inexplicavelmente sinto-me triste e fraca. No fundo, talvez se possa localizar tal sentimento em meu desagrado por ter de escolher entre alternativas. Talvez por isso queira ser todos – assim, ninguém pode me culpar por eu ser eu. Assim, não precisarei assumir a responsabilidade pelo desenvolvimento do meu caráter e da minha filosofia".
Sylvia Plath
On June 11 2010
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