Fala-se muito sobre as frágeis relações amorosas de hoje, tão afetadas pela urgência de satisfazer desejos imediatos, pelas inúmeras possibilidades de contato instantâneo e pela pouca durabilidade dos sentimentos. Me pergunto: onde está o furo dessa história? O que perdemos no meio do caminho? Talvez nem tenhamos perdido, talvez simplesmente nunca tenhamos encontrado aquilo que só a poucos casais foi dado viver e os que mantém unidos a despeito de toda a artilharia.
A maioria, hoje, vive suas relações afetivas e sexuais de forma periférica. Contenta-se com cama, orgasmos e satisfação dos instintos. Isso somado a um cineminha, uma escapada no feriadão e um almoço em família configura uma privacidade compartilhada, e é o que basta para confirmar que a relação existe, seja ela chamada de rolo, namoro ou mesmo casamento.
Ainda me pergunto: onde está o furo na história? Por que essa privacidade compartilhada não se sustenta por muito tempo, não satisfaz 100% e gera tantas frustações?
Com a possibilidade de acesso virtual a uma variedade de candidatos à grande amor e de seus cadastros (idade, profissão, time, fetiches), entrar na privacidade dos outros fico muito fácil. Porém, em proporção inversa, perdeu-se a noção do que é intimidade, algo que nem mesmo algumas relações duradouras conseguem atingir.
Intimidade não se externa, não se divulga, não se oferece na internet. É nosso bem mais secreto, é onde guardamos a chave do nosso mistério, das nossas dores, das nossas dúvidas, da nossa emoção genúina. Não se compartilha isso com outra pessoa se ela não tiver sensibilidade suficiente para nos ouvir e entender, para nos aceitar e nos acrescentar, para nos respeitar e ofertar em troca sua própria intimidade, selando a partir daí um tipo de pacto que beira o sublime.
Essa intimidade requer confiança plena, compatibilidade na maneira de enxergar o mundo e nenhum instinto maléfico em relação o outro. Intimidade é quando duas pessoas, mesmo distante em espaço, estão profundamente unidas porque se reconhecem cúmplices, não competem pela razão. Claro que a intimidade não consegue evitar ciúmes e conflitos de ideias, e tampouco se pretende que ela acabe com a solidão de cada um, que é sagrada, mas ela assegurará a longevidade de uma união que será estabelecida pela generosidade do olhar: se estará mais preocupado em enxergar a alma do outro do que em fiscalizar para onde ele está olhando.
Amigos conseguem essa magia mais do que muitas duplas românticas, que frequentemente se enganam a respeito da falsa intimidade que o sexo faz supor. Invadir a privacidade alheia é moleza, basta um torpedo, um telefonema, um encontro. Mas ter acesso ao mundo interno que o outro habita e sentir-se à vontade nesse mundo é que torna tudo mais raro, mágico e mais eterno.
On December 04 2009
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chicletemascado
On 04/12/2009
É tudo culpa do inconsciente popular, Gata!
"é preciso amar, aaa, as pessoas, como se não houvesse amanha"
"faça amor, não faça guerra"
"chegue mais, chegue mais, tô cheio de amor p/ dá, chegue mais"
"lá vem ela, estou de olho nela"
"vem neném, vem neném, vem neném, vem!"
"o que ocê foi fazer no mato, Maria Chiquinha?"
"pode vir, que eu tô facinho, facinho"
"amor, eu fico, nesse balanço você baila comigo"
"o amor me pegou, e eu não descanso enqto eu não pegar aquela criatura"
"linda, sabe viver"
"tem um jeito adolescente que me faz enloquecer"
"teu corpo é um mar por onde quero navegar"
"se um outro cabeludo aparecer na sua vida"
"se te der minha Pamonha, tu me dá o teu Curau"
"deixe viver, deixe ficar, deixe estar como esta"
"segura o Tchan, amarra o Tchan, segura o Tchan, Tchan, Tchan"
"vem Tchutchuca, vem aqui com seu Tigrão"
"cabeça, ombro, joelho e pé, joelho e pé, cabeça, ombro, joelho e pé"
(a gente vai aprendendo desde pequenininho ... qdo ensina na escola que a gente nasce, se reproduz e morre).
é a vida.