Avatar kamillar

Eu me apaixono fácil. Basta um olhar, um sorriso, pro meu mundo desandar. É um amor desmedido, exagerado, surrado, insensato. Lê-se, platônico. Não são poucas as vezes em que eu pude jurar que havia encontrado o amor da minha vida. No shopping, no cinema, no restaurante, na locadora, no ponto de ônibus, no corredor do colégio, enfim, sempre na espera por um lapso de mudança que me faria enchergar além do que os olhos podem realmente ver, e encontrar a minha alma gêmea. Mas tem sido assim. Cada vez mais. Encontro alguma pessoa na rua, ou em qualquer lugar que seja, e penso “Essa é a pessoa mais perfeita do mundo. É o amor da minha vida.” Não entendo porque fui justamente pensar que aquela pessoa poderia ser a certa. Não tenho um padrão. Escolho aleatoriamente, porque gostei do tênis, porque tem cara de inteligente ou simplesmente porque achei o corte de cabelo ridículo. Minha primeira vontade é me aproximar, conhecer aquela pessoa, pra que ela perceba que eu sou o amor da vida dela, assim como ela é o meu. Mas eu não faço isso. Não tenho coragem nem para perguntar as horas. Fico só observando, de longe, até que pegue um ônibus para algum canto qualquer da cidade, pague a conta ou seja chamado pelo professor. Não me aproximo, justamente porque tenho medo. Medo de conhecer aquele ser e ver que, ao contrário do que eu pensava, ele não é perfeito. Prefiro virar minhas noites lembrando daquela pessoa perfeita que encontrei por acaso, imaginando que ela seja o amor da minha vida. Porque não suportaria pensar, que talvez eu não tenha encontrado a pessoa certa pra mim ainda, ou pior ainda, que ela não exista realmente.





On February 09 2010 3 Views






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