Engraçado como todo fim de ano é sempre a mesma coisa: eu me fecho na minha concha pra pensar e balancear todas as coisas que me aconteceram no decorrer desses últimos 365 dias. E todo ano eu reclamo, reclamo muito. Mania de a gente enxergar só o lado ruim das coisas né? Eu acho que cansei de planejar um ano perfeito pra mim e principalmente de exigir mudanças e coisas em mim mesma, que sei que não vou cumprir. Eu poderia escrever tudo de ruim que me aconteceu durante esse ano todo e olha, comparados com esse, nos outros eu realmente só reclamei por bobeira (lê-se coração partido). Terminei 2010 bem magoada com alguém, acho que até escrevi aqui que só queria esquecer. Mas infelizmente a gente não esquece tão fácil quem se gosta. No começo desse ano, as coisas voltaram ao normal, nós voltamos a nos falar e até a nos “encontrarmos” (pra não dizer outra coisa) em alguns lugares. Acho que passei praticamente esses dois anos me lamentando por nunca ter sido tudo aquilo que ele queria, afinal se eu fosse, a gente teria tido algo mais do que um simples ‘caso’, se é que pode se chamar assim. Eu poderia contar uma história bonitinha de amor aqui, mas não vou, porque foi amor sim, mas só da minha parte (eu acho). Só tinha passado por essa experiência de “gostar realmente de alguém” uma vez na vida (há 3 anos atrás) e fui contemplada pela segunda vez ano passado. Eu sei que reclamei bastante, que chorei bastante, e só Deus sabe quantas vezes eu mesma esqueci meu valor e me senti um lixo por isso, mas quer saber? Eu trocaria tudo isso que to vivendo hoje pelas coisas que vivi ano passado. Vocês sabem o quanto é difícil assumir isso? Eu não me importava em “dividir” ele com todo mundo, até porque ele nunca foi meu, mas sabem como é difícil ver alguém que você gosta com outras na sua frente? Vocês sabem o quanto dói ouvir palavras tão doces de alguém, mas saber que era tudo em vão? E não to reclamando disso não. Na verdade, acho que agradeço e muito por tudo isso que eu passei. Eu me submeti tanto a esse sentimento no ano passado e mesmo sofrendo e passando pelo que eu passei, se eu pudesse voltar no tempo eu faria tudo exatamente igual, porque mesmo tendo “só uma partezinha” por menor que fosse dele, eu ao menos estava feliz. Eu nunca soube exatamente se algum dia eu cheguei a significar alguma coisa nesse sentido pra ele. E feliz ou infelizmente eu “descobri” que não, nunca cheguei nem perto de significar. Na verdade, não descobri nada, eu “presumi”, porque não tem como realmente saber, mas de acordo com os fatos e depois de uma conversa que eu tive com um amigo que é bem entendido de “comportamentos masculinos”, eu finalmente cheguei a essa conclusão. Claro que eu ainda lamento a morte dele, a gente tem aquela mania de achar que a ordem correta da vida são as pessoas morrerem velhas e é estranho perder alguém tão jovem como ele e que ainda tinha muita coisa pra viver, muita coisa pra vencer. Enfim, depois de 5 meses angustiada, de uma maneira ou outra, acho que me livrei desse sentimento pesado que eu sentia. Engraçado dizer isso agora, mas to me sentindo leve de novo. Leve e talvez vazia. Mas como diria Caio Fernando Abreu: “para provar novos chás, é preciso esvaziar a xícara”. Então depois de tudo isso que eu passei, to levantando a cabeça pra dizer que sim, passei por muita coisa ruim esse ano (falei resumidamente de uma só, mas foram muitas e ao mesmo tempo), mas to finalmente de pé. E agora mais do que nunca, eu agradeço do fundo do meu coração a todos os meus amigos de verdade, que estiveram comigo tanto nos bons momentos, quanto nos piores, que não me deixaram só quando eu mais precisei. Não só os meus amigos, mas também a minha família que me deu a maior força do mundo. Eu tirei força de vocês pra poder aguentar tudo isso e seguir em frente.
Então eu decidi que não vou fazer planos e nem pedir grandes coisas pra 2012. Sabem de verdade o que eu quero? Virar a página e voltar a ser imensamente feliz.
On December 31 2011
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