Eles se entre-olharam por algum tempo, enquanto a chuva caia suavemente. Sem falas, apenas a respiração quente e o olhar...
-“...” Ela fez mensão em falar, mas seus dedos foram em direção aos seus labios. O sangue lhe escorreu pela barriga, o movimento fora suficiente para fazer o ferimento se abrir novamente. Os olhos dela estalaram. Lagrimas verteram de seus olhos, ele apenas deu um sorriso bobo. Ela estava assustada, mas não pode conter o sorriso ao ver o dele. Seus olhos brilharam, ela sabia como aquilo terminaria mas ainda assim ela sorriu.
-“Não há com o que se preocupar, eu sempre estarei com você!” Ele deu um passo a frente. Ela se jogou aos seus braços, com lagrimas nos olhos e então o beijou. Suas mãos foram ao seu peito, as dele nem se moveram, estava fraco de mais. O sangue correu ainda mais, enquanto a chuva se tornava ainda mais forte. O rosto quente dela aqueceu o dele, quanto mais ele sangrava, mais frio seu corpo ficava. A chuva se tornou ainda mais forte. As pernas dele falharam, ela o segurou. O desespero tomou seu rosto. Ele sorriu novamente, com olhos opacos, não tinha mais forças e seu tempo também já havia se esgotado... A voz fraca abandonou lentamente os labios.
-“ Não precisa mais chorar, essa não é uma situação tão ruim, afinal... Pense em todo o bem que virá. A vila está a salvo. E você terá uma linda criança.” Lagrimas verteram de seus olhos, enquanto sua mão se elevou lentamente na direção do abdomen dela. Ela o levou lentamente para o chão, deitando-o em seu colo. Seus rostos ficaram parados poucos centimetros um do outro. Ela começou a chorar e entre soluços, as ultimas palavras que seus ouvidos foram capazes de captar:
-“A Vila foi salva, mas custou sua vida... E agora, seu filho... Nosso filho, jamais conhecerá o Pai. Mas ao menos eu terei uma lembrança viva sua...” As lagrimas lhe cairam por sobre a face. Ele fechou os olhos lentamente, sua respiração ficara mais fraca, até que parara por completo...
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On April 15 2010
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