Madeira santa no alto da ripa
Cuidando da porta de entrada da vida
Brava lenha fervendo riacho
Cuia na mesa só galho de cacho
Terra rachada no chão sem raiz
Palha zelosa sagrada morada
Folha que mata a fome por triz
Janela convida cadela de guarda
Cama acalenta um terço divino
O som do silêncio estridente machuca
De dia as paredes suam no campo
De noite a oração atravessa o cansaço
Mãos cortadas nas farpas da vida
Olhar torturante de paz sem razão
Saudade no peito sempre sentida
Sonhos distantes pra lá do sertão
Do lado de fora paisagem de dentro
Na rede adormece o tabaco faceiro
O sono acalenta sagaz e lento
O breu é decerto leal companheiro
A fé empunhada nas marcas da vida
Passos descalços além procissão
Crianças se espalham gaiatas corridas
E a seca encharca o olhar capiau
On June 10 2011
17 Views