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Muitas coisas têm acontecido desde Quarta-Feira passada... E estas coisas tem uma razão de acontecer. Elas têm sua origem na minha fé, que é a corda que nestes últimos tempos me impediu de cair no despenhadeiro da loucura. E isso é sério.
Tem muito tempo já, não sei dizer quanto, o tempo é estranho, talvez o mundo esteja seguindo adiante e eu não sabia ou talvez tenha me fechado em uma cápsula atemporal onde me protejo do passar do tempo, mas minha acumulação de traumas, mágoas e ressentimentos têm sido progressiva e não é de ontem, ou de um ano atrás, ou de dez anos. É coisa da minha infância, o que é pior, pois está lá no fundo da Caixa-Preta, bem naquele lugar que é doloroso de revirar.
Não é a minha intenção discorrer sobre essas coisas além do suficiente para o entendimento do texto. Minha infância não foi ruim, foi entranha. Não tinha uma família exemplar, daquelas de levar o cachorro pra passear no parque ou ir almoçar na casa da vovó aos Domingos, mas ainda sim era um lar, com pessoas que cuidavam de mim e me amavam. Eu ainda tenho isso, mas as coisas mudaram um pouco; ainda passo pelas mesmas privações, mas hoje tenho meios de conseguir o que quero pelas minhas próprias mãos.
Vinda de um lar estranho, com uma referência estranha, levemente alienada, eu tive uma vida escolar péssima de 1996 até 2003. Faz muito tempo, mas tudo o que eu passei nesta época moldou minha personalidade de um modo quase imperceptível, que eu só fui perceber quando comecei a ter problemas de auto-estima por comparação, depois de velha. Engraçado uma coisa tão grande, tão grande que é, não ser percebida na época. Acho que o motivo disso é que os fatos foram sendo encruados lentamente. Como uma lavagem cerebral. Quando percebi, isto era a minha realidade, a realidade da minha vida. Estava no fundo do poço, sem auto-estima, me sentindo o pior ser a caminhar sobre a face da Terra.
Hoje eu analiso isso e julgo que esse pensamento errôneo sobre mim deriva do meu desejo de aceitar o que está à mão. A verdade é que saí do 1º grau despreparada psico-emocionalmente para enfrentar a vida no mundo afora. Tomei na cara muitas vezes. Chorei muito. Perdi a conta de quanto chorei na minha vida já, chorei por pena de mim mesma, por auto-piedade, por inveja, por raiva, por ressentimento, por vergonha de ter sentimentos tão ruins. Cheguei a me considerar uma pessoa ruim, má.
Sempre criei padrões ideais, nos quais tentei me enquadrar, e esses padrões tinham a forma que me interessava na ápoca. Eu queria ter a letra de colega de classe, usar os brincos da amiguinha na escola, parecer com tal pessoa. Mas, infelizmente, ninguém é igual a ninguém e eu me frustrava MUITO.
Isso veio fazendo parte da minha personalidade por muito tempo, a inveja que levava ao ódio, de no fundo querer se assemelhar e não poder, sem nunca perceber que dentro de mim havia algo brilhante soterrado embaixo de tanta tristeza e mágoa.
Desde cabelos a roupas, estilos, bolsas, tudo o que pudesse conferir algo de interessante aos meus análogos eu queria para mim, pois eles sempre seriam melhores (de acordo com o meu pensamento), que eu.
Depois de velha, velha mesmo, adulta já, bati de frente com esse meu EU sórdido escondido, e todos os velhos traumas sempre voltam e dificultam a minha existência. Desenvolvi meios para me sentir mais segura: tocar guitarra fudidamente para uma mulher, ser escritora de SciFi, virar uma pessoa intelectual, mas nada disso me levou a me sentir melhor comigo mesmo, pois foram por muito tempo escapes para mostrar ao mundo o quanto eu era boa e não uma merda como sempre me disseram.
Hoje estou escrevendo este texto de encerramento do Fotolog, por que eu sempre me lamentava da minha quando tava tudo ruim escrevendo aqui, então resolvi postar o marco da maior vitória da minha vida.
Todos, sem exceção; de meninos que me humilhavam na escola, à meninas que eu invejei, à gente que eu odiei simplesmente por existir, eu agradeço hoje por terem feito com que me tornasse essa pessoa maravilhosa que eu sou. Todos deixaram algo que, pelo bem ou pelo mal, me moldaram e ensinaram muitas coisas sobre mim mesma.
Eu tenho tido uma assistência forte e, esta semana, eu me sinto livre como eu nunca me senti antes. Livre para enfim assumir a minha verdade que é muito mais digna do que eu sempre enxerguei! Agradeço o tempo todo por ter procurado o caminho certo quando estava chegando ao fundo do poço e quase enlouquecendo; hoje sei que, amanhã de manhã, irei pensar só em mim e naqueles a quem eu amo e que me amam também e em seguir minha vida e minha carreira. Talvez esteja um pouquinho arrependida por não ter vivido a minha vida como deveria, mas as coisas são no tempo que devem ser; foi o tempo do casulo, hoje é o dia de passar a ver tudo o que o mundo tem a me oferecer. Talvez seja estranho para mim abandonar certos preceitos, mas eu sinto que eles não fazem mais parte de mim e que não preciso mais deles.
Hoje eu sou uma pessoa melhor




On July 03 2011 55 Views



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high_speed_dirty On 04/07/2011

Não coube o finzinho do texto, então eu vou terminar aqui, agradecendo à todos que sempre estiveram comigo mesmo nos meus momentos mais tensos e que sempre enxergaram a beleza em mim (não tô falando de aparência não) quando tudo o que eu conseguia ver era cinza. São algumas destas, pessoas encarnadas, e a principal delas é o Gui, que nunca desistiu de me fazer feliz e tem conseguido isso a cada dia mais.

S2




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