Aqui é o centro, o coração. A magia mais pura sempre está no coração.
Nash não saberia dizer por que compreendia, ou por que acreditava. Talvez fosse por causa da lua, ou do momento. Sabia apenas que sentia um arrepio percorrê-lo, a mente flutuando. E, em algum lugar no mais profundo de sua memória, soube que já estivera ali antes. Com ela.
Erguendo a mão, tocou-lhe o rosto, deixando que os dedos deslizassem até o pescoço. Morgana não se moveu, nem para frente, nem para trás. Limitou-se a continuar olhando para ele. E esperou.
Não sei se gosto do que está acontecendo comigo ele disse, em voz baixa.
O que está acontecendo?
Você. Incapaz de resistir, Nash levantou a outra mão e emoldurou-lhe o rosto, prendendo-o entre seus dedos tensos. Eu sonho com você. Mesmo durante o dia, sonho com você. Não consigo desligar, nem pensar em qualquer outra coisa. Simplesmente acontece.
Morgana levou a mão até o pulso dele, querendo sentir as batidas fortes e vigorosas.
E é tão ruim assim?
Não sei. Sou um perito em evitar complicações, Morgana. E não quero que isso mude.
Então vamos manter tudo bem simples.
Nash não teve certeza se foi ela quem se moveu, ou se foi ele, mas de alguma forma Morgana estava em seus braços, e sua boca sorvia a dela. Nenhum sonho jamais fora tão arrebatador.
A língua de Morgana dançava sob a dele, incitando-o a ir mais fundo, e depois ela recebei-o com um gemido que fez o sangue fervilhar em suas veias. Finalmente ele tinha o prazer de provar a longa linha da garganta de Morgana, deslizando a língua sobre o pulsar que ali latejava, mordiscando a carne sensível sob a mandíbula até sentir o primeiro e rápido estremecimento perpassá-la. Então ele mergulhou mais profundamente, mais desesperadamente, quando seus lábios tornaram a se encontrar.
Como ela podia pensar que teria alguma escolha, algum controle? O que eles estavam entregando um ao outro era tão velho quanto o tempo, tão novo quanto a primavera.
Se pudesse ser apenas prazer e nada mais, ela pensou debilmente enquanto as sensações sobrepujavam sua força de vontade. Mas mesmo quando seu corpo latejava com aquele prazer, ela sabia que aquilo era muito, muito mais.
(Nora Roberts - O Legado dos Donovan)
On September 06 2008
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