“A gente não se procura, é o que não entendo. Não digo a gente eu-e-você, você-e-o-outro, digo a gente eu-e-eu, você-e-você-mesmo. Deu para entender? Nós com o nosso próprio “eu”. A gente não se cheira, não se escuta, não se toca, não se permite e não se procura. Procuras aliás, somente dos outros: porque temos que caber nos outros. Mas em nós? Como caberemos, se nos desconhecemos? Como caberemos, se não sabemos do próprio tamanho? Como caberemos, se não nos achamos? A gente procura todos os dias alguém novo ou repetidamente um velho alguém, mas não se procura, não se abriga e nem se dá espaços. Confesso: eu também não! Fico quase esperando notícias minhas na televisão ou jornais, menos em mim. Eu quero é saber o meu espaço no outro, me jogar ali dentro e implorar que não me expulsem, quero os cheiros e as palavras dos outros, quero procurar e encontrar sempre quem me detenha no mundo. Mas e eu? Ah, eu fujo do espelho e de quase todo tipo de reflexo possível. É como se estivesse aqui por quem virá, não por quem veio em mim. Aposto que é assim, pois sou muito os outros, dos outros. Procuro tudo o que posso para caber em alguém. É fato que não me caibo. É certeza que não me acho.”
---------------------------------------------------------------------------- Camila Costa
On May 31 2012
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