Tem coisas que o gaúcho de Porto Alegre diz que os demais gaúchos não dizem. É porto-alegrês. Gaúcho de Porto acha tri massa tomar um chimas na redença no findi. Principalmente se for após o churras. Depois, curte comer uma berga ou atravessar a rua e tomar um suco na lancher. Ali não tem rateada, é só chegar de canto que o lance é profí. Também da pra tomar um refri ou uma ceva. Tem gente que não gosta de sair pra lagartear no sol, baita guri de apartamento, esses devem ter até medo do Véio do Saco, néam. Tem os que têm medo de sair com a namor, principalmente na night. Pode ser uma indiada. Se não for cancheiro, toma uma ruim e daí, tu sabe, fechou o pau. E se deu bolo... melhor deitar o cabelo!
Mas tem aqueles guri de Porto que preferem passar o findi em Floripa. Pegam a caranga do coroa e chamam os magrão pra dar essa banda. Alguém tem que fazer a mão da baia, néam. Arrumar sarna pra se coçar, nada eras. Se for pegar a briói (BR101), tem que levar só os gente-fina. Ninguém chamando o hugo no auto! Vai que numa dessas tu ta numa lomba, pecha e te pisa? E lá na praia, sempre tem os amigo chinelão metido a balaqueiro que, na hora do rancho no super, tiram o corpo fora e pagam só meia-dúzia de cacetinho. Não da nem 3 pila, néam. Mas sempre tem aquele prevenido que passa o Banricompras, sem dar pega-ratão na gurizada. Aí não da nada, tem que se abrir pro magrão... Não pode ficar de cara, sempre tem um que faz a frente, néam.
Enfim, os porto-alegrenses gostam de encurtar palavras, não usar o “s” do plural, terminar uma frase com “néam” como afirmação, e não como pergunta. Mas tem uma coisa que os porto-alegrenses não gostam nem dão valor: as boas bandas de rock daqui. Uma vez um amigo me comentou, numa viajem: “o problema de ter banda de rock em Porto Alegre é que tem muita banda boa e pouco público”. Concordei de imediato. Só quem já tocou em banda de rock sabe das vicissitudes que tu passas em Porto Alegre. Será por isso que algumas bandas daqui, como Pública, Cachorro Grande, Volantes, resolveram migrar para a enxovalhada e cinzenta São Paulo, onde as pessoas dizem ôrra meu, e Curintia? Mas isso depois de muito tocar em cada boteco sujo desse Rio Grande com pouco público, pouca grana, pouco espaço, pouca estrutura e pouquíssima visibilidade.
Então, tem alguma coisa errada aí. Como disse este mesmo amigo, o qual eu me referi antes, “porto-alegrense “paga-pau” pras bandas de fora e não valoriza o rock gaúcho”. Talvez o público fosse atrás se houvesse uma melhoria na estrutura das casas de shows, tanto pro público quanto pras bandas. A mídia e os grandes eventos poderiam abrir um pouco mais de espaço pro rock da nossa terra em detrimento do sertanejo universitário. Sem contar nos produtores das festas, que hoje em dia prezam por colocar música eletrônica ao invés de bandas. O cara que aperta o play está mais valorizado do que quem compôs a música que ele discoteca. Triste. Mas, como diria um bom porto-alegrense, é bem nessas, meu guri...
On June 02 2011
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male
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27/06/1984 (27 years old)
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Porto Alegre, Rio Grande do Sul,
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