Nossos risos de felicidade eram únicos. Risos esses que congelaram no tempo enquanto você se preocupava em conservar nosso amor. Sentimento conservado é bom sim, mas sentimento com um prazo de validade desconhecido é mais encantador ainda.
Nos perdemos em um mercado de sentimentos. Eu colocando tudo no carrinho, você questionando se teríamos moedas de valores sentimentais suficientes para levar as mercadorias para casa. Mas tivemos moedas, levamos tudo para casa e conforme preparava os sentimentos para te servir à mesa, já percebia que o prato seria recusado pelo seu gosto refinado.
Chamei você para lavar as louças, você as lavou, mas sem cuidado algum, libertando-se da precaução em manter tudo certinho. Quebrou os pratos limpos, um por um. Nossos sentimentos congelados sentiram-se tentados e ganharam o mesmo fim.
Aquela sujeira toda no chão só se fez motivadora da minha fuga. E eu corri, corri para bem longe de você, parando apenas em frente ao nosso mercadinho favorito para tomar um fôlego, para descarregar as lembranças que ainda tinham prazo de validade, mas que já não me fariam mais bem algum.
Quando a saudade bate na minha porta, eu retribuo a gentileza e volto até a nossa cozinha, recolho os restos congelados que estão no chão, coloco numa panela e requento. Para a minha frustração, a panela não consegue esquentar o conteúdo, mesmo estando na mais alta temperatura em que a coloque, naquela em que eu costumava manter o nosso amor aceso.
On January 01 2012
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