Levantei cedo e a velha brincadeira de mun-ha vs.o sono teve inicio. Ele, com de costume resmungou e chorou e eu, fiz minha parte da melhor maneira possível.
Depois, tudo correu bem como de costume. A perua chegando, ele entrando sem dizer adeus, apenas pendurando dos lábios adornados pela chupeta um sorriso maravilhoso demais.
Coloquei os fones de ouvido e andei pelos 3 quarteirões absorvendo a manhã fria de junho com minhas pernas ainda doloridas pela vitória do dia anterior.Desci as escadas, sentei-me na sala que fora indicada e o vi passar com sua toca chilena e seu caminhar calmo.
No inicio foi aquela rasgação de seda sem sentido algum a qual eu já estava habituado.
Cada um vendendo seu peixe da melhor forma possível. Sempre foi assim, e assim sempre será como a sucessão das marés ou as loucuras femininas ou os cães a mijar nos hidrantes e postes.
Fiquei feliz por ele quando ela começou a falar.Não era assim tão bonita mas era feminina e parecia mesmo gostar daquilo que fazia.
Bocejei, primeiro discretamente, depois, nem tanto. Era HUMANAMENTE IMPOSSIVEL manter-se acordado ouvindo aquilo numa condição de jornada como a minha. Como de costume, uma mão estúpida se levantou tecendo um comentário igualmente demente, fazendo parte daquela massa que sempre pensa que “PARTICIPAR” é falar alguma merda que lhe venha a veneta.
Por fim, tudo acabou, levantei-me e assim fui conversar com ela.
Meu coração velho e cansado por tantas derrotas e rusgas e falências se encheu de alegria ao ouvir que ele tinha todas as coisas boas e algumas ruins que eu achava ótimas na verdade.
Cumprimentei-a, coloquei os fones de ouvido e subi as escadas vendo-o com o livro nas mãos, sedento por descobrir o que se passava ali, aprendendo a escrever as primeiras linhas de uma história que rogo ser bem melhor que a minha.
On June 16 2010
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