foto: peter francis
zigniew karkowski + pan&tone - sol da terra - 05-08-2007
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resenha festival música livre 04-08-2207 - florianópolis
texto por dora
<A HREF="http://cronicasatipicas.wordpress.com/2007/08/05/festival-musica-livre-zbigniew-karkowski-abesta-pantone-e-colorir/" TARGET=_top>http://cronicasatipicas.wordpress.com/2007/08/05/festival-musica-livre-zbigniew-karkowski-abesta-pantone-e-colorir/</A>
Tinha bastante coisa naquele palco. Coisas vintage, que lembram caixa de teremin. Amplificadores vestidos de zebrinha e oncinha (um luxo!). Aí eu não sabia quem começou a tocar. Só sabia que era uma guitarra e uma caixa/baquetas com uma distorção sinistra. E tinha fiozinhos nas baquetas, na caixa, por tudo. Aliás, tudo foi filmado e vai aparecer no YouTube qualquer hora dessas. O barulho foi nervoso, o chão tremia, tudo naquela sala tremia, mas acho que lá tinha isolação acústica. O barulho que a baqueta fazia com aqueles fios realmente tava me pegando até que o cara simplesmente resolveu destruir (!) a caixa com a baqueta. E aquilo fez um barulho novo, e ele rasgou, quebrou tudo mesmo e - não sei como - teve a peripércia de passar a caixa - já devidamente rasgada - pelo corpo. Sério: se ele entalasse ali, seria extremamente hilário, mas felizmente isso não aconteceu. E foi a partir desse momento que a palavra experimental teve um sentido novo pra mim. Na mesma hora eu pensei que, uma coisa é você ouvir esse som em casa. Mas você ir até um evento e passar pela experiência, vivenciar aquilo que está sendo produzido, toma uma dimensão completamente diferente, um significado diferente mesmo. Existe uma enorme diferença entre você simplesmente ouvir um instrumento ser utilizado até a sua exaustão, e de você ver isso ao vivo, na sua frente. O impacto é muito maior. E o nome dessa banda é Colorir, e eles são daqui de Floripa mesmo.
Em seguida ABESTA, também de Floripa, tocou. Coisa simples: 2 caras, 2 mesas, cerveja. Cabos e mais cabos. Conversa aqui, conversa ali e eu vi que ia ser uma coisa diferente, mas mais brutal. E eu não me enganei: o som dos caras foi de uma violência divina. Eles realmente estavam se divertindo a valer com aquele videogame em alta voltagem. Às vezes pareciam estar competindo como se estivessem num fliperama.. Algumas notas realmente me soavam como pontos a mais. E era barulhento e divertido, com a caveirinha simpática a girar e a luz estroboscópica quase me fazendo ter um ataque epilético (mentira!). Tá: a violência era pura, o som não era exatamente seco, mas poxa.. Os caras socavam os instrumentos com carinho. Ok, eu sei que instrumentos entre aspas parece estranho mas vá lá, aquelas mesas pareciam mesmo um instrumento de mil cordas pelo barulho infernal que faziam. Enfim, a única coisa que eu, enquanto jornalista, leiga e curiosa posso dizer sobre noise (depois de ter assistido a tudo isso ao vivo) é que noise é que nem sexo bom. Bom, pelo menos lembra um pouco. Explico: apesar de ser completamente caótico e inesperado, os caras sabem exatamente o que estão fazendo, mas ainda assim é um lance totalmente espontâneo, improvisado, cheio de olhares e sinais que só eles entendem. Tá, essa analogia foi meio tosca.. Mas foi a única coisa que me veio em mente, afinal, ninguém faz um som desses por fazer.. Faz por que gosta e fazem bem.
Terminada a apresentação dABESTA, logo entra na sala um cara com o laptop e o inicia rapidamente. Depois de um tempo, apagam-se as luzes e eu penso e agora, como eu vou fazer as anotações?. Aí pensei de novo fodam-se as anotações, vou curtir. O recinto estaria completamente sem luz se não fosse uma luz fraca no teto e a luz estroboscópica virada pro chão. Depois de algum tempo surgiu não sei de onte um cheiro de queimado (provavelmente da luz estroboscópica virada pro chão de carpete! eu fiquei mesmo com medo que aquilo fosse pegar fogo). Sabe
Hipertensos não podem assistir um troço desses. Me faltou fôlego em algumas horas, principalmente nos silêncios. Depois de mais algum tempo de ruído, aquilo começou a ficar inquietante pra mim. Não conseguia ficar sentada na cadeira. Juro. Não que eu não gostasse do que eu estava ouvindo, muito pelo contrário: eu senti uma vontade bizarra de levantar da cadeira e dançar. Chacoalhar o corpo esquizofrenicamente mesmo, sem sentido nenhum, mas dançar! Mas é lógico que não fiz isso, seria o mico do ano. Mas a vontade existiu forte de curtir o hype (rá!). Mas me contentei apenas com dois gritinhos. O final foi apoteótico, geral subiu no palco e todo mundo fez um barulho que vai reverberar na minha memória por algum tempo. Nunca vi coisa parecida. Muito bom mesmo.
On August 10 2007
3 Views
rene2003
On 15/08/2007
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gabi7a
On 14/08/2007
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doritchka
On 10/08/2007
Obrigada por citar a fonte ;D
Uma pena eu não poder ter ido no outro dia.
Tive que me recompor. rs
Abraços.