Tangente e suave o frio pampeiro graceja as orlas dos nossos sonhos e a boêmia está cada vez mais escura de medo. Hoje naufraguei meus pensares, pois não nego o temor que cultivo. Apenas um espírito caminha agitado interno do meu ser: o medo. Todas as pessoas abismam, de alguma forma, na magia deste verbete e é impossível negá-lo em vida, porém podemos aprender a namorá-lo. O problema é quando uma sapiência, provida de certo viver, se deixa escravizar e segue a vida fugindo das presentes situações. Este é um problema veemente do brasileiro, pois é o caminho mais brando. Percebe-se nas ruas, nas escolas, nas empresas. Do que adiantam promessas se temos medo de cumpri-las? O que doeu não foi sentir aquele triste apelo, porém saber que não consegue representar, no físico, o sentimento que carrega... Pensei no momento, na saudade, na solidão, porém o medo é a melhor saída, certo? Fugir e se esconder, aviltar a cabeça, interpretar que consegue esquecer, ou o que é pior: querer esquecer. A lua mareja tanto que meus dedos já murcharam e meu leito morreu vazio. Pior que ser um cativo do terror é usá-lo para mentir a si mesmo e pensar que o tempo cicatriza tudo – a maior bobagem do mundo dos vivos. Feridas, quando verdadeiras, consomem muito mais que sangue e enodoam a alma. Os ponteiros não descansam, a flor não mais colore, o dia não amanhece e tudo porque é preferido contradizer as próprias escritas e fugir ao relento. Tudo bem... Zelo caráter às pessoas, sentimento no coração e coragem para enfrentarem os medos de fronte, pois estarei te esperando aqui no inferno por toda a eternidade...
On February 26 2010
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