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Suave coisa nenhuma.

Não que eu tenha me curado assim, de um dia para o outro de toda aquela overdose de amor que recebi. Não que isso tenha sido assim , sei lá, uma coisa corriqueira, que acontece em cada esquina e que pra mim tá tudo bem. Não que eu tenha simplesmente batido a porta – ou tomado a porta na cara – e tenha seguido. Não se trata disso. Não foi e nem é simples assim. Mas é assim que será tratado. Como leve pluma. Esperando que pouse. Leve.

Aquilo que eu ousei chamar de amor – e que hoje, relembrando, ainda digito envergonhada essa palavrinha amor – pesado e leve, forte e frágil, foi para mim real. Senti - no tom daquela voz que me dava outro nome , que não o meu, porque eu sempre fui amor dele – naquele olhar lacrimejado, bêbado e pintado de batom, uma vontade de ir e ficar. Parecia uma luta interna. O corpo dizia uma coisa, a boca dizia outra. E sempre mudavam, corpo e boca, de opinião. Revezavam. Decidi, mesmo assim, tentar. Senti mesmo – muito porque quis sentir. Porque me permiti. Porque abri o peito, este peito tão diversas vezes rasgado e recosturado, rasgado e recosturado, rasgado e recosturado (...),acreditando que era. Olhei naqueles olhos como quem olha dentro. Olhei tantas e tantas vezes através... Já era tão cotidiano aquele olhar no meu, que acabei cometendo aquele erro típico de quem bate o carro na porta de casa. Você vai no automático... e bate. Tenho carteira de motorista para nada. Não tem quem me faça dirigir. Eu bato. E disso eu consigo me privar. Dele não pude. Nem quis.

E quando a boca e o corpo dele se afinaram naquele não, foi como perder uma multidão. Foi vácuo.

Mas eu, passarinho.

http://www.youtube.com/watch?v=LrxMlfCP_pw&feature=player_embedded






On April 11 2011 13 Views





cantosecachos

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cantosecachos

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