Parte 1, por Julião.
A quem possa interessar.
Por volta de 2004, estava eu mais ou menos 13 anos morando fora de São Paulo, em Assis, no bom e velho oeste paulista, trabalhando há 5 anos em meu próprio negócio chamado Mundo Cão - um salão de banho e tosa para cães e gatos - do qual saía meu sustento e proporcionava o dinheiro que eu precisava para organizar os festivais de Punk e Hardcore em Assis (que rola até hoje por lá), junto com o Lucas e o Tiago, meus sócios na produtora independente Produções Peçonhentas ( producoespeconhentas@yahoo.com.br )e parceiros na banda Os Baratas Grandes ( www.myspace.com/baratasgrandes )
Num belo dia recebi a visita do amigo de São Paulo, Marcio Fidelis, que recém havia comprado o Caffeine SoundStudio, junto com o Fernando Pastorelli. E o Fernando estava namorando uma garota do sul e decidiu morar com ela em Porto Alegre meses depois. Com isso, o Márcio precisava de outro sócio e veio me convidar. Como estou envolvido com o rock e suas atividades marginais desde os anos 80 precisamente desde 1986 - resolvi dar outra virada radical na minha vida e aceitei a proposta.
O Pastorelli queria R$6.000,00 na parte dele, como eu não tinha o dinheiro no ato, vendi meu carro Parati (que era meu e da minha irmã) e paguei o Pastorelli em 3 prestações de R$2.000,00, certinho, conforme o prazo combinado.
No dia 14 de julho de 2005 me mudei (novamente) para São Paulo, e instalei meu quarto na sala de shows do Caffeine Pamplona, então o Márcio e eu intensificamos o ritmo de atividades do Caffeine. E foi ótimo, organizamos vários shows em 7 meses foram mais ou menos 30 matinês com a média de 4 bandas se apresentando no nosso palco (ou quarto) -, e tínhamos na agenda ótimas bandas que ensaiavam e gravavam com a gente, e amigos muito queridos que também nos ajudavam na organização... aquela força! Até que um dia um vizinho que morava na vila comercial que ficava atrás da sala de ensaios do estúdio do qual ainda não tínhamos conhecimento - levou dezenas de queixas à Subprefeitura de Pinheiros sobre o barulho que o nosso rock causava para o seu sossego, e isso foi publicado no jornal Folha de São Paulo. A matéria que lacrou de vez as nossas portas parodiando os Rolling Stones -: É só Rocknroll, mas incomoda.
Como tinha acabado de trazer minha família de Assis por causa do Caffeine - eu estava com vários compromissos paralelos assumidos, tipo o aluguel, água, luz, telefone, compra do mês, ração dos meus animais e precisava arrumar um trampo urgente para não me ferrar e não ferrar junto a minha irmã e os meus bichos: cachorros, gatos, peixes, pássaros, e uma tartaruga. Foi quando eu decidi sair da sociedade e vender a minha parte pra duas pessoas que o Márcio havia escolhido para ficar no meu lugar: o Luis e o Renato.
Resolvi vender pelo mesmo preço que havia comprado, R$6.000,00, o que daria R$3.000,00 pra cada um deles pagar. Quando saí da sociedade deixei uma dívida de R$1.500,00 de contas do mês anterior que seria descontada no valor da venda, então eles teriam que me pagar R$4.500,00. Isso foi em março de 2006.
Passaram MAIS DE DOIS ANOS sem que eu recebesse 1 CENTAVO se quer. Ainda assim trabalhei, ralei e deixei que essa dívida perpetuasse porque eu não queria que o nosso Caffeine morresse. Em outubro de 2008 o Márcio decidiu oficialmente sair dessa sociedade e me chamou para acertarmos a situação.
O Renato e o Luis quiseram continuar com o Caffeine, mesmo ao nosso contra-gosto. De qualquer forma, combinamos que eles acertariam comigo parcelas de R$500,00 por mês a partir do dia 20 de dezembro data estipulada pelo Renato/Luis. Chegou a data (20/dez/08) e nada da grana, e nem mesmo um telefonema de satisfação, e eu outra vez me via na situação chata de ficar cobrando os caras que novamente falaram, colocaram prazo, prometeram e não cumpriram, outra vez. E no dia 20 de janeiro (que seria a segunda parcela), me depositaram somente 200 reais, e reclamaram que haviam depositado pra mim 300,00 o que também não foi porque não entrou no meu extrato do banco. Como eu já estava de saco cheio de ter que correr atrás desses caras para eles começarem a pagar a velha dívida do velho acordo, decidimos (o Márcio e eu) não vender mais nossas coisas e passamos lá para pegar o que era nosso, nada além do justo. Pegamos então os equipamentos de ensaios (2 P.A. de voz, 2 amplificadores de guitarra, 1 ampli de baixo, mesa de som, potência, a velha Medusa quebrada, a bateria Mapex totalmente desfigurada e sem as ferragens, 2 caixas passivas para Cabeçotes, 25% do isolamento acústico que estava sem uso, e somente isso. (Deixamos os móveis, o notebook e o computador ambos que foram presentes dos amigos da minha ex-banda Erege (BR UK), deixamos lá na Pitangueiras também os microfones, a placa de som usada para gravações, e enfim, pegamos somente o que era nosso, nada além.
Continua abaixo...
On March 05 2009
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caffeine_sound
On 05/03/2009
Eu, Julião, estou escrevendo esse manifesto para me defender (e ao Márcio também) dessa calúnia. Se fui um idiota em deixar esse equipamento e esse sonho do melhor para o Estúdio Caffeine com o Luis e o Renato por mais de 2 anos sem receber nada, é porque ainda confio na palavra das pessoas. E tinha a esperança que fossem acertar comigo da forma como combinaram, coisa que jamais iria acontecer. E também escrevo para deixar bem claro que tomamos essa atitude para não deixar nenhum filhinho de mamãe me fazer de otário brincando de rock com as minhas coisas e falando calúnias pelas minhas costas.
Somente tomando essa atitude consegui andar com a cabeça erguida novamente!!!
Julião Cerqueira, fevereiro de 2009.
caffeine_sound
On 05/03/2009
O Renato e o Luis ficaram indignados com nossa atitude e soltaram por aí que eles foram roubados: "... ajudar o Estúdio Caffeine a continuar
suas atividades e se levantar do infeliz roubo sofrido no mês de
janeiro, quando todos os equipamentos do estúdio foram levados".
Acontece que tudo o que levamos está em papel e em nosso nome. Tenho todos os recibos que paguei para o Pastorelli (em 2005), e o Márcio tem o contrato assinado de quando comprou o Caffeine do Washington Bebassa fevereiro de 2005.
Acontece que eu sempre fui muito honesto, honrei minha palavra, e quando eu não poderia honrá-la, eu não fazia promessas e nem assumia o que eu não poderia manter e cumprir. E deixei que por quase três anos eles usassem as aparelhagens, o nome e o conceito/história do Caffeine, e agora eu estou sendo chamado de ladrão!! Ladrão é o caralho!!
É muito triste ver como as pessoas distorcem as coisas para não assumir sua própria culpa por não ter uma palavra honrada. E como minha irmã disse pro Renato ao telefone quando ele ligou aqui em casa para reclamar do sumiço do equipamento -: nesses mais de 2 anos você nunca ligou aqui em casa para dar uma satisfação sobre o dinheiro que você nos devia, e agora você ainda liga para nos cobrar? ... homem que é homem tem culhão e honra a sua palavra!!!.
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