Todos os dias te sonho encostado ao meio peito, de olhos fechados onde nada te passe na cabeça. Onde adormeces calmamente ao som de um episódio qualquer. Sou viciada em séries, tenho noção disso: o tempo passa, elas passam e eu decoro todos os pormenores que me fazem querer que um dia, qualquer que seja ele, aconteça o mesmo. Sonho-te sossegado, sem medo ou problemas que, eventualmente, possas ter e eu tenha de te ajudar a resolver devido a tua falta de organização e capacidade de te abstrair de ti e pensares a cima dos teus horizontes. Imagino-te sempre com frio, desconfortável, fome ou outra necessidade qualquer. imagino-te vulnerável. Consequentemente passo eu a ser mais alta que tu e a ter mais dois anos. Às vezes até mais.
Tenho noção que os teus dias não são fácies e que tenhas de te mentalizar que há coisas que não mudam ou não passam com o tempo, só porque desejamos mesmo muito. Eu tenho as mãos mais feias que alguma vez já vi e, tu, mesmo assim, beijas-me todos os dias. Tu tens uma gula incontrolavelmente desgastante mas, mesmo assim, eu cedo. Cedo a tudo o que te diminua as olheiras e te faça ficar aqui ao lado. Cedo a tudo que te devolva um pouco a infância que tiveste, por saudades dela ou por achar que não tens de envelhecer de maneira alguma. Por não querer que o tempo passe e as minhas dúvidas existências. Os meus medos existências se agravem. Sonho-te sempre assim, como és, perfeito, meu. Perfeito.
A coisa que mais gosto em ti é o teu antebraço. Tenho um outro milhão de coisas capaz de me agradar em ti. E um outro milhão que me orgulha de seres tu a estar por perto, todos os dias. Tenho um imenso orgulho em ti. Mas nenhuma delas devanece as minhas dúvidas. os meus medos. Nenhuma delas me trás a segurança de que casualmente o tempo pare na marca das tuas veias e se estenda pelos teus dedos. Nada me diz que o teu pulso não guarde apenas o relógio em sinal de que a sociedade te afecta. Às vezes nem tem pilhas! Nada me garante que não teremos a sorte de ser, para sempre, tu e eu. As tuas veias, os teus dedos, o meu peito firme ou os meus caracóis.
Tenho saudades de magia, de forma lenta como o tempo passava entre risos e as teorias do universo. Tenho saudades de quem nos oferecia magia e de todos os que nos acompanhavam. Inocentes ou não. Tenho vontade, todos os dias, de recuperar isso. Sentar-te ao meu lado e, de uma forma ou de outra, sentir o que é ser-se superior as veias que me mostram consecutivamente que o tempo passa e te acabarás por evaporar no tempo, nas cinzas, no centro. Voltaria de bom agrado ao que me esquece a dor de que tu evaporarás, mesmo que isso o fizesse mais rápido. Eu amo-te, ouviste? À minha maneira. Não te desejo mal algum. muito pelo contrário! Protejo-te de tudo o que te possa magoar ou afectar. Mas continuou a sonhar que te deites no meu peito e esqueças todas coisas que te ensinaram em tantos anos, só para eu poder recuperar a magia todas as noites. Sei, definitivamente, que é uma atitude egoísta da minha parte. Acredito que faça mal e que acabe por me arrepender. Mas nunca te obriguei a nada, nem sequer penso fazê-lo. Somos tão livres quanto possível e eu consigo controlar as minhas necessidades, as minhas vontades e, sobretudo, os meus medos. na esperança, vã ou não, de que o tempo não avance, de que tudo fique melhor e eles não se afastem mais. Na esperança, de que um dia venha aí outro tipo de magia que me faça querer ver o tempo a passar, para ela poder crescer independentemente do nome que tenha. Independentemente do teu braço já não ser tão magro e firme como é hoje porque realmente o tempo passou.
Sem magia ou com ela, eu sei que vai passar, e que todos os meus medos se vão intensificar. Mas, por favor, por favor. Não cresças tu, na medida emq eu te possas deitar, sempre um pouco, no meu peito e adormecer com fome ou frio. Com problemas para eu resolver. Com medos como os meus. Isso faz-me sentir-te, por vezes, tão pequeno que cabes no meu colo. Eu não me importo de te ajudar, desde que beijes todos os dias as minhas mãos feias e me faças sonhar que doenças são só doenças. Que tudo passa, menos o tempo.
Bom dia e até já.
On January 28 2012
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shoe
The time is now! We want to see what accompanies you most of the day, being at home, in the streets, or at work! Show us your shoes!
O tempo é agora! Queremos ver o que o acompanha a maior parte do dia, sendo em casa, nas ruas, ou no trabalho! Mostre-nos os seus sapatos!
draw
Drawings. Desenhos. Dibujos. Dessins.