Avatar bodhidarma

Eu robô?

Olá a todos,

Senhoras e senhores, quantas coisas aconteceram na minha vida nestes últimos tempos...

Infelizmente, tenho compartilhado com o mundo uma parcela tão pequena disto que me faz pensar e acho que introspecção é mesmo a tônica do momento. Por isso decidi que vai ser também o assunto do dia.

Vou a la Protágoras - tomando a mim mesmo como medida de quase todas as coisas, como sempre...

Acredito ser terrível sentir-se alheio ou viver alheio, mas na maior parte do tempo me comporto exatamente assim. Como explicar isso? Parece paradoxal, mas é assim que faço para estar inserido na sociedade. Evite todo mundo, passe despercebido, conviva apenas o necessário ou o "suficiente".

Quem merece a minha presença? Quem merece minha companhia? Quem merece sequer minha voz ou minha preocupação? Quem merece a minha inteligência, tudo que eu tenho de bom, ruim ou característico?

Resumindo: “Quem MERECE afinal aquilo que eu sou?”

Estranho questionamento não é? No entanto, parece até mesmo natural hoje em dia ser meio robótico; dosar aquilo que você tem de bom e de ruim para o mundo. Percebo que as pessoas têm maior facilidade com esta impessoalidade “eficiente”, com o distanciamento que evita problemas talvez...

Há algum tempo atrás eu disse aqui que cada pessoa tem em si inerente à sua própria vida uma boa história. Hoje particularmente acho que a maioria das pessoas nem sequer merece atenção. Todos parecem iguais, mecanizados, até na aparência, no vestir ou nos modos. Acho que querem ser iguais!

Tudo isso enquanto discursam prolixamente, nunca se esquecendo de “humanizar” deus e o mundo. Que fenômeno absurdo!

Em minha opinião tudo está invertido ou vazio. Ninguém sabe mais expressar nem aquilo que sente. Torna-se cada vez mais difícil para essas pessoas que não tem critério algum, esclarecer e definir mentalmente conceitos como “natural” ou “humano”, por exemplo. Ninguém sustenta ou acredita em conceitos básicos como BOM, VERDADEIRO, CERTO, portanto, qualquer coisa acaba servindo.

A discussão acabou em algum ponto. Quem tinha critérios, aliados à vontade, sabedoria e paciência para explicar, simplesmente desistiu. Cada parte virou de costas e dormiu o sono dos justos sem dar boa noite.

Acordamos novamente juntos no dia seguinte porque o convívio é inevitável. Que fazer? Ignorar tudo e seguir adiante – como um robô.

Seria isso um condicionamento mental da minha parte para evitar a miséria humana? Pare um momento para ver quantas pessoas na rua você simplesmente ignora seja por comodidade, por sanidade ou até por segurança... Nós estamos nos evitando e eu já falei sobre isso antes. E ainda ouço falar do “calor humano do brasileiro” – tenha dó. Só se calor humano for interpretado como sacanagem, daí nós somos campeões.

Particularmente acho que um pouco disso tudo tem a ver com desesperança em larga escala e eu compartilho isso.

Esqueci de dizer que não tenho vontade de recomendar nada hoje; é custoso escrever aqui. Tantas palavras, frases e parágrafos que são recorrentemente apagados até eu perceber que no fim talvez seja melhor apagar tudo. Insisto sob uma incrível pressão...

Às vezes não consigo parar a minha própria mente e acreditem que essa sensação é insuportável. Aprendi como atleta a me condicionar e me submeto bem ao que supostamente é minha própria vontade. Infelizmente quem não é condicionado por si mesmo acaba sendo condicionado pelas circunstâncias externas. Viver é difícil, é caro e algumas vezes simplesmente sacrificante ao extremo. Situação difícil de lidar.

De minha parte imponho meus próprios sacrifícios, cumpro todas as minhas promessas comigo mesmo. Estou correndo na rua de manhã bem cedo como disse a mim mesmo que faria. Neste silêncio os dias passam, as semanas voam, os meses giram apenas a folha no calendário e tudo flui como se houvesse um bloqueio permanente à criatividade; como se todos fôssemos fantasmas, pedras ou algo literalmente inanimado, sem vida - simplesmente envelhecendo engessados e opacos.

É difícil enxergar o nosso próprio envelhecimento no presente, mas algumas vezes é fácil senti-lo. Estou mais velho e longe de mim reclamar. A velhice não me incomoda e o ponto de equilíbrio é saber como enxergar o presente de maneira oportuna.

Na foto: Um relacionamento possível?.




On March 09 2010 2 Views



Avatar pop_ist_tot

pop_ist_tot On 12/03/2010

mil desculpas pelos erros grotescos! vi um de concordância...


Avatar pop_ist_tot

pop_ist_tot On 12/03/2010

"Ninguém sabe mais expressar nem aquilo que sente."
Sim, é tudo tão padronizado que a pessoa sente o que é induzido a sentir, e quando sente algo diferente não entende mesmo. Expressar já é mais complicado ainda, tem que dar nomes, ter sutileza...

Tenho muito medo de me acomodar e não aprender a desenvolver o que penso, defender as minhas idéias. Tenho me esforçado e digo que vc, dessan e aquele grupinho seleto são uma forte inspiração.


Avatar pop_ist_tot

pop_ist_tot On 12/03/2010

Ok, prometi, lá vou eu comentar:

Eu acho que viver a parte, alheio é uma alternativa para estar satisfeito nesse mundo que anda tão estranho. Mas não sou a favor de total isolamento, pelo motivo de achar sim que vc tem muito a dizer pra gente, mas realmente é dificil encontrar quem mereçe que compartilhemos o que sabemos, pensamos, sentimos.
Fazer o que todo mundo faz, seguir a ordem "natural" das coisas, mesmo que eu quisesse já não tem como...
O que nos torna vazios? eu acho que é o excesso de civilidade, de informação, de tudo o que nos rodeia e que por não termos escolhas nos preenche sem que quiséssemos. E o que poderia nos fazer completos, nem cabe mais. A partir do momento que ficamos a parte dessa vida corrida e massacrante, podemos escolher melhor o que vai nos preencher, e podemos descobrir o que é certo, justo, bom, verdadeiro.
E sobre o calor humano do BR, to fora! De que adianta ser caloroso,mas não ter respeito, educação? Fico com a frieza dos alemães, hehehe.

É isso,
abç, e continue escrevendo!!


Avatar littera

littera On 11/03/2010

Micho, como compartilho da mesma desesperança no mundo e nas pessoas, fica difícil discordar ou achar falhas no que vc fala aí. A única coisa que eu invejo de vc no post é que vc tem o controle sobre si mesmo. E eu, em partes, não o possuo.

Uma coisa que eu tenho reparado antropologicamente em mim e nos outros ( no que os outros escrevem, pois não tenho tido contato social com ng) é que esse "natural" corresponde ao que é confortável para a pessoa.
Esse negócio de bom e certo bem tá fora de moda pra um montão de gente. (Adoro usar esse "bem" no meio da oração, acho que dá estilo)

Beijo.


Avatar renato_trevas

renato_trevas On 10/03/2010

Fala, Micha...
Fiqueis abendo que vc apareceu no futiba, pena que foi num dia em que eu estava aqui em cima...
Cara, confesso que às vezes evito ler teus textos...não pela qualidade, sempre excelente, mas apenas porque ao que parece temos uma incrível comunhão de idéias, só que vc consegue expressá-las de uma maneira que eu jamais conseguiria, talvez eu tenha me tornado um hipócrita pefeito, sei lá. Bom o que me faz temer nas suas palavras e meus pensamentos é um tom de desesperança que luto diariamente para enterrar bem lá no fundo de minha mente...sem sucesso, é claro.
Mas quanto à nossa robotização, acho que o simples fato de vivermos mais a emoção alheia (vide BBB, fofocas sobre celebridades como o Adriano e afins) do que nossos próprios prblemas diz muito...
Mas uma coisa ao menos eu aprendi...não vale à pena evitar as pessoas, e sim a "vida coletiva"... fico impressionado com o número de pessoas que considerava fúteis e se revelam seres incríveis ao serem desligadas da padronização imposta no convívio social diário. Imbecis em rodas de festa se tornam gênios na quase solidão...vai entender o porque de nos escondermos...
Ainda bem que por algo que também não compreendo, nunca fiz questão de esconder o que tenho de bom ou ruim para ser aceito, e mesmo assim consigo estar à volta com pessoas incríveis cuja confiança conquistei sem promessas vaizas...me considero um sortudo...
Quanto ao livro em equipe, irei dar início, aguarde
bjundis -Trevas


Avatar pop_ist_tot

pop_ist_tot On 09/03/2010

Bom, tem a ver com a 1ª parte do seu post, rsrs


Avatar pop_ist_tot

pop_ist_tot On 09/03/2010

Vc precisa ver um filme finlândes chamado "O homem sem passado" urgentemente. Tudo a ver com o seu post. Falo dele em posts anteriores.
Esse assunto rende muito, depois comento mais, merece um comentário bem elaborado. abç,





Loading ...