Ás vezes me pergunto porque o amor, que dizem ser a coisa mais importante e forte que há, faz tanta gente sofrer. Entendo que algumas pessoas amam com impaciência, com possessão, com insegurança, amam das formas mais desajeitadas, e nada disso é fácil de lidar! Mas o amor é assim mesmo, vem acompanhado de várias outras sensações, todas elas fora de nosso controle. O amor é lindo, mas também pode ser tenso, fóbico, difícil. Billie Holliday cantava "não me ameace com amor, vamos só cantando na chuva.."
Chego a conclusão, então, de que o amor é nobre e ao mesmo tempo ameaçador. Deve existir algo muito melhor que o amor, muito maior que ele. Um sentimento que vários de nós talvez já tenhamos experimentado, só que nunca foi batizado, não o reconhecemos com facilidade. É dificil classificar as coisas sem nome...
Maior que o amor, melhor que o amor: um sentimento que ultrapasse todos os padões convencionais de relacionamento. Que prescinda de fogos de artifício por ter chegado e também dispense velório por ter partido, que se instale sem radares em volta, que não deixe apreensivos para atendê-lo e nem para traduzir seus sinais. Um sentimento que não atenda a longevidade nem a intensidade medida pelo número de declarações verbais. Que seja algo que supere os conceitos como matrimônio, adequação social. Que seja individualizado, amplo e sem contra-indicações.
O amor - como o conhecemos - é apenas um aprendizado, um estágio antes da gente alcançar isso que é melhor e maior: algo que independe da presença constante do outro, que nos deixa absolutamente plenos e livres. É um sentimento que quanto mais forte, mais calmo. Quanto maior, mais discreto. A gente não o pensa, não o discute, não o compara, não o idealiza. Ele simplesmente encontra asilo dentro de nós e cresce sem aflição daquelas regrinhas impostas pelo amor 'tem que cultivar, tem que..'. Tem que nada. Tem que apenas é curtir. É até bom que ele não tenha nome, cor, símbolo ou teorias. Melhor assim, sem estampar em capas de revistas, sem ninguém usar argumentos para cometer insanidades, sem fazer sofrer nas novelas e nem na vida.
Simplesmente enorme assim, sem ameaçar. Transcedente como um convite para caminhar na chuva...
On November 16 2010
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