É domingo. Estou com a minha mãe, meu irmão, meus pais e mais algumas pessoas num McDonalds, que parece meio self-service. Eu faço um sanduíche de pão francês recheado com uma rabanada e polentas fritas. Os funcionários dizem que logo estão fechando o expediente, uma moça pergunta se queremos mais alguma coisa. Os funcionários estão muito estranhos, bem lentos e fazendo tudo com má vontade. Algumas pessoas vão buscar mais comida, e ela coloca uma máquina na minha frente, que parece aqueles preenchedores de cheque. Eu coloco meu cartão de débito nele, digito o valor e a senha, e após um tempo sai um recibo. Eu tiro meu cartão e o recibo, e teclo um enter verdinho pra sair outra notinha pra eu dar pra moça. quando vejo as notinhas, estão em nome de outra pessoa, uma mulher (que tem um nome normal, mas por algum motivo eu sei que é estrangeira), então digo "Moça, você precisa estornar isso aqui, eu não sou essa pessoa, tá errada a operação.". Ela fala "tenho que chamar o gerente", e chama um outro, juntam-se mais alguns funcionários em volta. Ela não consegue nem abrir a boca pra falar com o cara. Eu me apresso a começar a explicar a situação, mas ela protesta "Deixa que eu falo", debruçada na mesa e com a mão no peito. "Pode deixar que eu explico pra ele", digo eu, meio puto. "mas ele é meu chefe, eu que tenho que explicar". Eu fico ainda mais irritado, mas falo que ok, ela pode explicar. Aí o gerente senta do lado da minha mãe e começa a cantar e eles todos riem. Eu falo "Mas e o extorno, isso foi cobrado de outra pessoa, me escuta", e meu irmão fala "Porra, vocês tão muito bêbados". Eu falo que se pelo menos estivessem só um pouco eu entendia, mas estão muito, e estão em servço, é um absurdo. O cara torna a cantar, não sem antes dizer "Vou cantar pra você, (e aponta meu pai) e faço isso feliz, porque canto pra um corno". Eu fico puto começo a arrancar ele da cadeira (aqueles bancos compridos do McDonalds), enquanto ele canta e minha mãe fala "Tira esse bosta da minha frente, por que senão eu mato ele". Nisso já arrastei o cara pro chão, que agora é o corredor entre as fileiras de um ônibus. Minha mãe vai na direção dele e cobre ele de porrada, dá uma cabeçada nele, chuta sua têmpora e bate ele contra os apoios de passageiro "se vocÊ tá falando que meu marido é um corno, tá me chamando de vadia", o cara apavorado e todo ensangüentado pula a catraca pra frente (estamos todos atrás dela). O motorista para num lugar que lembra o terminal urbano Vila Madalena e abre a porta da frente pro cara descer. O cara corre até ficar de frente pra uma das portas de trás, e começa a gritar: "Por isso que eu odeio vocês, seus molochs! Não respeitam quem é pobre, que nem eu!" e minha mãe fala algo como, pobre é uma praga, e eu grito, furioso "eu tenho vários amigos pobres, porra! eu já passei necessidade. você é um filho da puta de um alcoólatra que não respeita minha familia, e a culpa é dos 'molochs' ou 'pobres'? deixa de ser idiota!". Ele sai correndo e se mistura na multidão. Eu peço pro motorista abrir a porta, que eu vou atrás dele pra ensinar uma lição. O cara abre, minha mãe fica preocupada, mas eu finjo nem perceber, deixo o ônibus pra trás e já estou no meio do povo, e vendo o bêbado. Ele está uns vinte ou trinta anos mais novo. Eu me esgueiro pra trás dele, que está entre um poste e um arbusto, ele nota no último instante e começa a correr. Logo ele acha um casarão com o portão aberto, e entra. Eu espero do lado de fora. Grito "VocÊ é um imbecil! Um bosta! Se eu cruzar com você na rua... (aí eu dou uma olhada de fora e começo a brincar com a situação) ...eu vou te dar um beijo!" e o acompanho com o olhar, enquanto ele sobe a ladeira de grama e econtra uns quatro homens jovens, cada um com um cachorro bem bravo numa coleira, que dizem coisas como "agora ele tá fodido, vamos matar ele", etcetera. [Quando eu era criança tinha pavor de cachorros de estranhos e fui mordido várias vezes.] Um deles solta um Rotweiller, que desce a ladeira correndo. Eu não sinto medo, e ele vai diminuindo a velocidade, até chegar andando em mim. Me dá umas cheiradas, e volta correndo lá pra cima, avançando furiosamente no jovem bêbado. Um dos outros segura o cachorro, enquanto soltam um labrador "agora ele nao tem chance". Mesma coisa, quando ele chega até faço carinho nele, que volta manso pro próprio dono, e dá uma rosnada meio de sarro pro bêbado. Eles ameaçam bastante, e chacoalham algum tipo de terrier, que fica bem puto com o mundo. Eu atravesso a rua de costas pra ganhar tempo e me firmo no chão. "haha, olha, tá com medo, que idiota", e soltam o bicho, que vem furioso até mim e avança. Eu esquivo dele, e coloco a mão em sua nuca, segurando firme, mas não muito forte, enquanto falo calmamene com ele "e aí, dog? tudo bem? que foi? calma, querido"
On August 25 2008
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batrakius
On 25/08/2008
CONTINUANDO
...e ouço vozes, não sei de pessoas ou de espíritos, não sei se dentro ou fora da minha cabeça "é mesmo, as pessoas não sabem lidar com cachrros, eles tem uma gama de movimentos muito limitada, não representam uma ameaça tão grande assim". O cachorro não consegue me morder, eu fico evitando e segurando ele, e ele está mesmo bem puto a princípio, mas vai começando a brincar de tentar me morder. E gradualmente vou deixando ele me abocanhar, e ele começa a me lamber carinhosa e furiosamente, e começamos a rolar, eu faço carinho em sua barriga e ele sente cócegas. Alguém diz "estragou o cachorro, que merda", mas eu não tô nem aí. Outra voz diz "também, é o cachorro da mônica".
Acordo. Meus vizinhos estão com amigos, gargalhando (pra variar, num lugar que ouço como se fosse no mesmo cômodo que estou), e uma mulher canta a melodia que o cebolinha canta pra mônica no desenho animado (que devo ter visto uma vez, se é que vi), "lala lala lála"[mônica gorducha].
Bizarro, hein?
Gostei dessa parada de colocar sonhos aqui...