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bandalaurapalmer

It's a secret - single -
Member since 20/06/2007


"Experimental" é um termo hoje tão batido, que não define mais coisa alguma. Vamos à raiz, então: mais do que apenas experimental, Laura Palmer é um experimento. De sua formação às influências no som, passando pelas letras e o formato único de suas sessões de estúdio, o grupo definitivamente NÃO está aqui para fazer o previsível, o padronizado, o careta. Não à toa, sua música costuma causar no ouvinte o mesmo estimulante estranhamento que a série de TV "Twin Peaks" (de São David Lynch) - quem sabe, sabe - causava no espectador. A mesma aura de mistério surreal que envolvia a personagem que empresta o nome ao grupo é conjurada pela sonoridade do Laura Palmer - que é, a rigor, um quinteto, mas em torno do qual giram figurinhas mais do que carimbadas do novo e do novíssimo rock carioca. Isso tudo desemboca no EP de estréia do Laura Palmer, "Três lugares imagináveis", lançamento Tomba Recs. Assinando o disquinho estão André Mansur (guitarra, programação e voz), Gilbert T. (guitarra e eletrodomésticos), Gil Mendes (bateria), Bruno Marcus (programação e produção) e Isabela Ventura (baixo). É uma turma que, apesar de nova, não é zero km: Mansur participou do Curinga, no início da década passada; Gil & Gilbert tocaram no Tornado (e Gilbert ainda bate ponto no Clube da Luta); Isabela passou pelos Morangos Mofados; e Bruno integrou o coletivo hip hop Quinto Andar. O mundo de referências pop bastante particular em que vive o Laura Palmer é denunciado já no título do disco, que acena ao mesmo tempo para o The Cure ("Three imaginary boys") e a cult-band paulistana Fellini ("Três lugares diferentes"). As três músicas mais intrigam do que explicam, tudo isso sem deixar de cativar. "Menina Infinito visita a Estação das Brumas" traz letra (em inglês) falando de um passeio da personagem-título (criada na revista em quadrinhos "Mosh!") pelo universo mórbido do Sandman. A trilha sonora remete ao lado etéreo do rock inglês oitentista, numa levada trip hop. "Death metal is playing at my house (and Def Leppard is playing at your house)" cruza noise e eletrônica - distorção, blips & blops eletrônicos, vozes alteradas, num conjunto ainda assim dançável. Uma batida disco-punk dá a tônica de "Sometimes it’s not enough (dance to the radio)", com citação ao Joy Division de "Transmission" no refrão. E um bônus fecha o EP: uma versão para a música “X”, do duo eletrônico niteroiense Saara Saara. A página do grupo no MySpace ( www.myspace.com/bandalaurapalmer) rotula-os, singelamente como "rock / electro / trip hop". Uma idéia melhor é dada na lista de influências, que mistura Neil Gaiman, Robert Crumb e David Lynch a modernices bacanas como LCD Soundsystem e velharias mais bacanas ainda como Suicide e PIL. Ah: no mesmo endereço, as faixas do EP estão disponíveis em streaming ou em download gratuito. Experimente (olha a palavrinha aí de novo) no virtual, e saia à caça do disco no mundo real. Depois de três anos sobrevivendo na zona cinza dos "projetos", o Laura Palmer afinal se transformou em uma banda de fato e de direito. André Mansur acalentava desde 1999 a idéia de ter um grupo com esse nome. Um formato extremamente aberto de fazer música também era parte fundamental do conceito. Todos os membros fixos são vindos do que se convencionou chamar "o outro lado da poça" - ou seja, as cidades de Niterói e São Gonçalo, separadas do Rio de Janeiro pela Baía de Guanabara. A mistureba começa a partir dos agregados. Nas gravações (nem todas constam neste EP) pontificam membros do Jumbo Elektro (Tatá Aeroplano, "tocando" seus "toys"), Zumbi do Mato (Löis Lancaster - baixo e trombone), Luísa Mandou um Beijo (Fernando Paiva – guitarra e letra), Noitibó (Alex Frechette – guitarra e letra), Sex Noise (Larry Antha - voz), Djangos (Marco Homobono - guitarra), Voz Del Fuego (a própria - voz), Set Setters (Hudson – programação). Além dos polivalentes De Leve, Pedrão Selector (trompetista de B.Negão e da PELVs), Silvio Essinger (o famigerado escriba pop, aqui tirando onda de guitarrista) e Luciana Lazulli (cantora do Lazulli Quartet Jazz e colaboradora do duo Saara Saara). Com certeza, até este release chegar em suas mãos, esse time sofreu um acréscimo. Diante dessa gente toda, mais uma vez o caráter de experimento sobe à tona. O Laura Palmer quer variar sua formação a cada show, com o repertório mudando de acordo com os convocados. O critério de escolha das participações, tanto no palco quanto em estúdio, é apenas a amizade e a afinidade musical entre os convidados e os membros fixos. Num dia, o LP pode se resumir apenas a seu mentor, André Mansur, com um banquinho e um violão (e/ou um laptop). Noutro, um batalhão de seres barulhentos pode plugar seus amplificadores para tocar, digamos, todo um álbum do Velvet Underground, na íntegra e na ordem. A única constante é de que os shows do Laura Palmer serão sempre curtos - curtos mesmo, 15 ou 20 minutos.




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