A dor é fonte de inspiração, é um clichê. Todo sofrimento nos dá vontade de mostrar ao mundo, de falar aos quando ventos: “Ei! Eu estou aqui! Preciso de ajuda!”
Quando a dor passa e a gente se sente ridículo pelo que escreveu e sentiu. Os sentimentos extremos são assim, nos fazem agir de maneira impulsiva, nos tira a vergonha de mostrar quem somos e o que sentimos.
Se eu amo, que o mundo se torne um quadro para eu colorir. Se eu sofro, que as folhas do meu papel absorvam as lágrimas da ponta do meu lápis.
Um dia bonito no parque, o sol atravessando os galhos, lugar-comum de visão de felicidade. O vento me provocando uma sensação de frescor em meio ao calor da grande estrela do dia. Casais passam, crianças correm, e eu estou sentado, observando, inspirado, exposto, só.
Tão inevitável quanto o inverno que não tarda a se tornar primavera. A noite vira dia, meu veneno se torna remédio. O clichê de uma dor inspiradora no parque me faz entender coisas tão óbvias que meus olhos teimavam em não enxergar.
O tempo passa, o que é importante permanece. A vida é inequívoca, o roteiro está escrito.
Que a minha dor vai se tornar uma alegria incomensurável? A maior das certezas e obviedades.
Um dia alegre, avisto pássaros e flores na minha primavera interior que se aproxima, clichê inevitável.
=)
On April 22 2011
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