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hermann hesse, gertrud

"Precisava encontrar uma ponte qualquer que me unisse ao resto dos homens, precisava, de um modo qualquer, poder viver com eles, sem ter sempre de levar a pior. Se não havia outro caminho, quem sabe se a minha música, realmente, não me conduziria até lá? Se eles não queriam amar-me, talvez tivessem de amar a minha obra."

“Ah, agora eu sabia de que se tratava! Bem podia ela cantar, desejar ser gentil comigo, ter a meu respeito as melhores intenções, não era nada disso o que eu almejava. Se ela não me pertencesse, de todo e para sempre, e somente a mim, então a minha vida seria inútil e tudo o que de bom e terno e verdadeiro havia em mim perderia qualquer sentido.”

“O meu trabalho, aquilo para o qual eu vivia e que devia dar sentido à minha existência, não passada de um correr no encalço de sombras e construir castelos no ar! Poderia ter realmente um sentido e justificar e encher uma vida humana, ficar alguém amontoando séries de notas e brincando, emocionado, com construções sonoras, que, no melhor dos casos, algum dia ajudariam outros seres a passar uma hora agradável?”

“A juventude acaba quando acaba o egoísmo, a velhice começa quando se começa a viver para os outros.”

“A juventude quer divertir-se, a velhice, trabalhar. Ninguém se casa só para ter filhos, mas, uma vez que os tem, eles o modificam e, no fim, ele percebe que tudo, com efeito, acontecera somente em função deles. Isso prende-se ao fato de que a juventude, sem dúvida, gosta de falar da morte, mas nunca pensa nela. Com os velhos, dá-se o contrário. Os jovens julgam que vão viver eternamente; daí, poderem reportar a si mesmos todos os seus desejos e pensamentos. Ao contrário, os velhos já perceberam que, num ponto qualquer, existe um fim e que tudo o que alguém tem ou faz só para si mesmo, acaba por cair no vazio e por ter acontecido em vão. Assim, necessitam de outra eternidade, bem como da crença de que não estão trabalhando unicamente para os vermes. Para isso existem mulher e filhos, atividades e cargos e pátria: para saber-se por quem é, afinal de contas, que suportamos a lida e o desgaste e as aflições cotidianas"

“Quem não padece do mal de pensar, alegra-se com levantar-se de manhã e comer e beber, acha-o de tudo suficiente e não quer de outra maneira. Mas quem perdeu a sensação da naturalidade disso tudo, procura, no transcurso do dia, ávido e atento, os momentos de verdadeira vida”

“- O senhor tem uma doença, que, infelizmente, anda na moda e com a qual, todos os dias, deparamos, em pessoas inteligentes. Os médicos, naturalmente, nada sabem a seu respeito. É uma doença aparentaa com a moral insanity e pode chamar-se, também, individualismo ou solidão imaginária. Os livros modernos estão cheios disso. Insinuou-se no senhor a quimera de que está isolado no mundo, de que nenhum ser humano é da sua conta e de que ninguém o compreende. Não é assim?
- Sim, mais ou menos – reconheci, admirado.
- Está vendo? Para quem já contraiu a doença, bastam umas poucas desilusões para leva-lo a crer que, entre ele e os outros seres humanos, não existem quaisquer relações ou existem, quando muito, mal-entendidos e que todo o homem, na verdade, anda por ai em absoluta solidão, sem conseguir que os outros o compreendam direito e sem poder compartilhar ou ter nada em comum com eles. Tambem acontece que tais enfermos se tornem orgulhosos e considerem todos os outros seres, os sãos, que ainda podem compreender-se e amar-se uns aos outros, como rebanho. Se essa doença se generalizasse, a humanidade se extinguiria. Mas ela é encontrada somente na Europa Central e nas altas camadas da sociedade. Nas pessoas jovens, ela é curável e, aliás, faz parte das doenças inevitáveis do desenvolvimento da juventude.”

“De quando em quando, os senhores sábios demonstram infalivelmente que tudo não passa de uma ilusão. Antigamente, eu também lia livros do gênero e so posso dizer-te é que não servem para nada, absolutamente nada. Tudo o que esses filósofos escrevem é uma brincadeira; talvez seja um modo de se consolarem a si mesmos. Um, inventa o individualismo, porque não suporta os seus contemporâneos, e o outro, o socialismo, porque não agüenta sentir-se sozinho. É possível que o nosso sentimento de solidão seja uma doença. O que, porem, não muda nada.”





On August 29 2011 16 Views





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unknown - 24/09
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Sonhar, Pará, Brazil




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