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As outras pessoas ficaram atônitas e não moveram um milímetro de onde estavam, quando o Senhor Malta saiu de casa chutando a porta em direção ao bar, Luiz explicou a dona Lizandra como Cristian conseguira o pedal.

Ela conversou com os três, e acharam melhor não começarem a tocar até que as coisas esfriem, e depois, Cristian tinha uma dívida com a loja de instrumentos e deveria pagar. Os três olharam pra a senhora sorrindo e abraçaram-na. Depois o trio foi até os fundos esconder a pequena aparelhagem no porão.

Quando Cristian e Keila ficaram sozinhos pela primeira vez. Trocaram sorrisos discretos e quando ela foi pegar o bumbo, ele a repreendeu dizendo que a parte pesada era coisa de homem, ela devolveu a altura dizendo: “-A bateria é minha, quem carrega SOU EU”! As duas palavras finais com um tom de voz maior. Frase essa que ela viria a se arrepender futuramente.

Com tudo guardado e escondido. Os dois visitantes ficaram para o jantar, Cristian não conseguia parar de olhar para a moça, que foi forte ao impor sua condição. Ela tinha um ar doce, cabelos vermelhos como o fogo e uma personalidade conhecida na escola. Já era a terceira vez que quase fora expulsa por problemas disciplinares. Aquela que futuramente seria aeromoça havia dado a Cristian mais que o lugar em uma banda, deu a ele uma forma diferente de ver as coisas, e quando alguma coisa no meio de suas pernas começou a se mexer, disse qualquer coisa com ‘-esqueci o dever de casa’ e correu pro quarto.

Aquilo nunca havia acontecido, sabia como funcionava, porque estudava reproduções de animais na escola. Achou por bem, não tocar nesse assunto com ninguém, e buscar formas daquilo não acontecer de novo. Depois de se despedir os dois visitantes foram pra casa, acompanhados pela mãe de Luiz.

No alto dos quatorze anos, ter o primeiro emprego fez seu Malta esquecer o incidente do dia anterior, a mãe havia contado que ele recebera um adiantamento e deu entrada no aparelho e e na guitarra. Não poderia conceber a idéia de outra coisa barulhenta em casa além do violão, foi quando ele trouxe o instrumento e mostrou que ‘desplugado’ o som era quase inaudível, fazendo o velho concordar com a permanência daquilo em casa.

Quando Cristian foi para o quarto, ouviu algo parecido com “-Nosso filho ta crescendo, quando vai participar da vida dele?”! O que aconteceu depois se repetiria várias vezes: um barulho de tapa, seguido de gritos e finalizando com a frase “-Acha pouco eu colocar comida nessa casa? Agora tenho aplaudir ele e mais dois desocupados fazer barulho?”!

Foi a primeira vez que desejou ir embora. Não se atreveria a sair do quarto, mas queria ver como sua mãe estava. Dormiu com o travesseiro molhado de lágrimas.

No outro dia foram fazer a inscrição para a gincana que aconteceria em um mês e meio. O prêmio era uma quantia bacana em dinheiro. Antes de pensar no que fazer com a grana, Cristian escreveu o que iriam apresentar e os integrantes. Causou certa estranheza o fato de ter uma mulher como baterista, e um momento de gargalhadas o nome da banda. Pelo regulamento as equipes deveriam fazer uma mini apresentação do que seria a apresentação maior, mas como ninguém na escola morria de amores pela dona Gladys, inscreveram o trio sem passar pela triagem.

Tinham seis semanas pra ensaiar, na verdade isso seria diminuído pelas quatro semanas que Cristian tinha se comprometido pra pagar o pedal, restando apenas duas semanas pra tocar a música.

O boato da nova banda se espalhou rápido pela escola, e já havia cartazes, caricaturas com a marca do trio. Que viraram uma espécie de celebridades estudantis.

Pra compensar a falta de tempo, Cris e Luiz levavam os violões todos os dias pra escola, não só nas aulas de artes. Luiz improvisava o baixo tocando com as cordas grossas do violão, e Keila batucava em uma das carteiras. Ensaiavam nos quinze minutos que tinham do Recreio. Como a música era fácil em alguns dias ela já estava prontinha, precisavam saber como seria tocar os três com guitarra, baixo e bateria de verdade.

Com a facilidade de tocar essa música, eles ouviram e tocaram outras, quando perceberam, já tocavam outras sete músicas.

Com a proximidade de Keila, Cristian sentia-se cada vez mais ligado nela. Dava desculpas pra sentar-se ao lado da moça nas aulas, levava suas coisas, e acompanhava-a até em casa. E na frente do parquinho, ele segurou a mão, com o coração disparado, pede pra ela fechar os olhos, fechando seus olhos também, chegando bem pertinho. Quando os lábios estão quase a se encontrar, Keila abre os olhos e Cristian também...

-O que você vai fazer? – pergunta ela surpresa.

E ele tira do bolso um par de baquetas – queria te dar isso de presente, o Barbudo iria jogar fora - Com o clima completamente quebrado eles seguem o caminho até a casa dela, no portão foi a vez dela de segurar a mão dele, e pedir: - Me dá aquele beijo que você não deu no parquinho?

Continua...





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nandabach On 15/11/2009

Olá

"moro" em blumenau
e vc?


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