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- Quanto tempo? – completa – E como você cresceu.

A ultima frase tinha uma grande dose de sarcasmo. Cristian reconheceu a voz na hora, e com a voz vieram as lembranças.

Lembrou da banda na época da escola. Das apresentações nas gincanas, da música feita pra sua primeira namorada que tocou na rádio do colégio e depois na rádio local. Ainda hoje o pessoal daquele ano seria capaz de cantar ao menos um verso da canção.

A banda era formada por: Cristian na guitarra, Zolhão no Baixo e Keila na bateria, a moça que dominava as baquetas também era a musa inspiradora da tal canção, e sorrindo, depois de algum tempo, colocou a cabeça no lugar e constatou que aquela menina que atacava os tambores e pratos, estava na sua frente, mais linda do que nunca. Agora era aeromoça

Antes que Cristian pudesse sentar e conversar um pouco, lembrou da lista que fez no dia anterior, sobre as metas. E riscou a ultima linha, aquele que julgou ser o mais difícil. E ainda com o sorriso no rosto Cristian pôs-se a reavaliar o nível de dificuldade dos demais itens quando Keila aproxima-se e senta ao seu lado, e conversaram por pouco menos de 5 minutos.

Obviamente lembraram as festas, os shows, os aniversários. Da música e ela com a simpatia forçada de toda aeromoça se levanta e lembra Cristian que está trabalhando, mas anota seu telefone no guardanapo e pede que ligue assim que puder. Cristian pega um cartão no seu bolso, e escreve o telefone da casa dos pais. Antes que ele pudesse terminar de escrever, a moça maquiada e perfumada de um jeito estranho declama o número, que era o mesmo desde o tempo da escola.

O Vôo demorou em torno de 2 horas, quando chegou ao aeroporto. Não queria atrapalhar Keila, e saiu sem se despedir, com a promessa que ligaria mais tarde.

Contratou um serviço de locação de automóvel, daqueles que você pode pegar o carro em uma cidade e entregar na filial de outra. Tinha em torno de 3 horas pra curtir sua nova condição, a idéia de bater com o carro em um poste em alta velocidade e fazer todo mundo imaginar que foi um acidente passou mais de uma vez na sua cabeça. “-A vida é um acidente” - Pensou em voz alta. Antes de imaginar como estaria a casa dos seus pais depois de alguns anos, depois que o Senhor Malta se foi...

Cristian se sentia culpado por não sentir falta do pai. Não conseguia lembrar-se de nada de engraçado e divertido que tinha vivido com o velho. Ele sempre foi ocupado demais em seu trabalho, a única vez que foram a praia, ele levou consigo várias pastas com relatórios, e enquanto todos se divertiam, o velho fazia contas, batia na mesa, bebia whisky e ficava vermelho quando alguma soma que não dava certo.

Censurou-se por ter escolhido a mesma profissão do pai. Teria sido hereditário? Não queria ser o mesmo homem carrancudo, seco e distante. Não era a hora de buscar essas respostas.

Parou em um posto de gasolina para encher o tanque de gasolina e o estômago com algo gelado. Perdera de novo a sensibilidade para as coisas, o que comia e bebia não tinha gosto, fazia isso mais por uma espécie de “força do hábito” que por vontade própria. Tinha perdido alguma coisa, que recuperou parte na estadia com Laila, mas não seria ela que tinha a solução do problema. Teria que ir um pouco mais longe que arrumar o apartamento e encontrar coisas velhas.

Seguiu seu caminho, o carro dispunha daquele aparelho que evitava a compra de mapas. Se perder agora era algo humanamente impossível. Ligou o rádio na antiga que sua música havia tocado, e para sua surpresa tocava uma música evangélica. Não tinha nada contra Deus, mas preferia ouvir música de verdade. Foi passando pelas estações até constatar no alto dos seus vinte e poucos anos que os jovens de hoje não sabem ouvir música de verdade. E manteve o rádio desligado até o fim da viagem.

Queria algo pra se distrair, não havia dormido e o seu corpo já estava mostrando os sinais de cansaço. Mexia-se várias vezes no banco. Quando resolveu parar no próximo posto. Chegando lá compraria alguma bebida energética pra tentar chegar vivo ao destino.

Conversou com o dono do Posto, ele disse que nessa época do ano não tinham tantos turistas e as vendas baixavam drasticamente. Cristian deu dicas de como amenizar esse efeito, como fazer com que os gastos sejam mínimos para chegar com uma saúde financeira aceitável na época de movimento. O Dono pareceu não entender, mesmo assim agradeceu, e apagou as luzes da garagem vazia.

Seguindo seu caminho, agora com uma espécie de combustível aditivado. E reconhecendo as cidades vizinhas sentiu-se satisfeito por ter conseguido percorrer o caminho sem problemas.

Já estava escuro quando viu a placa de boas vindas a cidade. Teria que atravessá-la para chegar a casa dos seus pais. Antes queria dar uma passadinha em um lugar, afinal sua mãe não estava a sua espera. Chegando lá se depara com uma situação familiar, engraçada, e sentiu preenchido de novo. Seria o começo de uma nova era.

Continua...





On October 23 2009 1 Views



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diiiana_4ever On 23/10/2009

Colocar uns 220 nessa reta

*-*


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roquedelgomez On 23/10/2009

opa

boa sexta ai


beijos


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