Te mato na unha
Eu me calo, me sufoco e não falo. Eu sei que isso te mata, meu silêncio te faz mal, por isso fico calado, te mato na unha, devagar, te espremo com frieza, como se espreme um dente de alho.
Eu sei que se eu gritar você vai gritar ainda mais alto, se eu assumir qualquer culpa você vai pisar no meu pescoço como se eu realmente fosse o culpado, se eu te enfrentar você vai me esmagar e me retaliar como você bem sabe, por isso que eu não digo nada, nem que sim, nem que não, não retruco suas ofensas, nem concordo com suas loucuras.
Eu afirmo isso porque já tentei todas essas alternativas, já usei todos os artifícios que tinha ao meu alcance, hoje eu sei que meu olhar vago e minha boca fechada acabam por te derrubar melhor do que qualquer outra coisa. Eu também já cansei de tentar te fazer abrir os olhos para a realidade, desisti de te mostrar o outro lado da história, a outra verdade, a minha verdade. Hoje só me resta te presentear com a indiferença, a pior de todas as respostas, a mais amarga e dura que eu poderia te dar.
Por isso eu me calo, e mantenho a serenidade, não permito que me você me incomode como tenta fazer. Não sei se pra você o pior é o meu silêncio ou o fato de eu não me abalar diante da tua postura ofensiva, de uma forma ou de outra eu prossigo com meu plano exitoso, eu te mato na unha, calado.
On September 12 2011
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