[cena x]
Depois de horas de caminhada sob o sol escaldante, quando minhas pernas já não respondiam mais, cheguei numa espécie de cabana indígena onde havia sangue e visceras espalhados e o cheiro de podre queimava minhas narinas. Daquele momento em diante sabia que meu destino estava nas mãos daquele que habitava o interior da oca. Com passos longos e pausados, adentrei o recinto e fiz a reverência:
- Salve senhor do desespero e da agonia, mestre de tudo que é profano e maldito, tutor das bestas abissais e general das tropas do fim, lhe ofereço parte de minha carne em sinal de gratidão.
Feita a reverência, cortei meu dedo anelar e o coloquei em cima de um altar posicionado no centro da tenda. Sua presença era forte, o mestre de toda destruição estava ali na minha frente, mas eu nao conseguia ver nada além de restos humanos. Alguns instantes depois ouço uma voz oriunda da parte escura da cabana:
- Finalmente veio a minha morada filho do fogo, não temeis, pois seus dias de dúvida acabarão de uma vez por toda.
Assim que disse essas palavras, o velho índio devorou meu dedo amputado, limpou as presas e sorrindo disse:
- Realmente, é você quem me perturba filho do fogo, saiba que seu destino está trancado e este caminho que percorres é sem volta, tens certeza de sua decisão?
- SIM!
Com um sorriso macabro o velho começou a proclamar uma espécie de mantra, dali em diante entrei em coma profundo.
On October 27 2009
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