E todas as janelas fecharam-se ao chegar do dia...
Os sonhos, cortados ao meio, junto com o que restou do corpo...
Junte os restos e arraste-se de volta para o leito, gata borralheira!
Aproveite a morfina que invade suas veias e fazem-lhe sentir melhor diante de tudo...
Pois agora sim, retirada do seu mundinho mais que perfeito, poderá sentir o quanto pesa a realidade...
Apesar de tudo, ninguém pode carregar sua cruz!
Vomite as palavras! Elas já não são tão ácidas quanto antes, já não podem defender-lhe, já não machucam ninguém!
E duvido que tua fraca força o faça! Os punhos cerrados contra o ar...
E o ar não lhe invade mais os pulmões!
E a água não mata mais a sede!
E a comida revolta o seu estômago...
Por que o sentido de tudo perdeu-se, e foi você que o deixou partir!
Sinta a culpa, minha princesa sem coroa!
Largue as lâminas, elas estão cegas!
Deixe o amor cicatrizar... ou morrer!
E não implore para que ele fique... acorrentado eternamente a tua imensa fraqueza.
Liberte-o, amarga criatura!
Para que possa amargar sozinha o destino que escolheu!
On July 24 2008
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