(refiz o post apenas para alterar a idade. Segundo minha mãe, Princesa seria uns 3 anos mais velha do que pensei)
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Como numa peraltice combinada, meus cachorrinhos partiram quase que juntos. Nem bem fez um mês que se foi o velho Elliot, eis que parte minha loirinha, meu churrinho dourado...
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Alguns anos depois do Elliot chegar (não lembro exatamente quando), numa bela manhã meus pais, fazendo sua corrida matinal, se depararam com uma caixa de papelão com dois filhotes. Coração mole como o são até hoje, acolheram ambos.
À mais escura chamamos Pretinha, a outra passou a ser Princesa. Nossa simpática loirinha.
Tínhamos de manter o jovem Elliot preso à corrente pra que não devorasse aquelas criaturas pequerruchas que o encaravam de um espacinho do lado oposto do quintal.
Pra Pretinha arrumamos um novo dono, com ela ainda pequena. Tínhamos a intenção de arrumar dono pra Princesa também, mas foi ficando, ficando... ficou. E conforme ficava, crescia. Começamos a acostumar o Elliot com ela, fazer umas aproximações, ainda com corrente. Em pouco tempo pudemos deixá-los soltos.
Já eram então parecidos no tamanho, e apesar de eventuais rusgas, se acostumaram um ao outro e nos deram sete filhotes de uma vez só. Arrumamos donos pra todos, mas não sem antes renderem um pequeno filme amador a base de músicas de videogame:
http://www.youtube.com/watch?v=HUvJg1AJ4Gs
Princesa, ao contrário do medroso Elliot, era destemida, folgada e persistente. Desobedecia sem nenhuma vergonha naquela pequena cara os nossos comandos. Não raro gritávamos com ela e era o assustado Elliot, a metros de distância, quem se recolhia, enquanto ela permanecia olhando pra nossa cara. Às vezes latia insistentemente, a qualquer pretexto. Chineladas produziam apenas efeito imediato. Quando latia demais, reverberando pela madrugada, jogávamos água nela. Sacudia-se, e pouco depois voltava a latir.
Às vezes tomava o lado do Elliot no espaço que ambos dividiam e ele, resignado, deitava-se no espaço menor. Às vezes comia sua comida, mas esse era um delito que ambos cometiam, dependendo de quem desse mole primeiro.
Sempre teve boa saúde. Foi ao veterinário pra tomar vacinas e fazer consultas sobre problemas mais ou menos pequenos. Envelheceu sem perder quase nada do vigor. Atravessou a barreira dos 10 anos ainda correndo, pulando e latindo em longas sessões. Quando o Elliot já estava em marcha lenta, seguia nossa princesinha mais ou menos como na juventude.
Então morreu nosso gordinho. Imaginamos que nossa loirinha ainda duraria bons anos.
Quando, dias depois, começou a comer menos, achamos que estava apenas sentindo a falta do companheiro. Mimamos mais que o normal, demos mais atenção, às vezes eu ficava sentado com ela no escuro, falando como se ela pudesse entender.
Infelizmente o problema não era só tristeza. Começou a apresentar sangue nas fezes. Levamos ao veterinário. Com um mal feito diagnóstico de infecção intestinal, ficou internada 3 dias. Sem uma melhora relevante, mas ainda comendo a contento e bem disposta, voltou pra casa, com prescrições de antibióticos e outros remédios.
Os dias passaram, ao invés de melhorar piorou. Paramos os remédios, já não queria comer nada, nem os pedacinhos de pão que nunca recusou.
Internamos em outro lugar, e dessa vez foi submetida a exames de imagem e a veterinários mais experientes e dedicados. Resultado - rins lotados de nódulos fortemente suspeitos de câncer. O que não seria de se estranhar, pois sua irmã, a Pretinha, morrera ainda aos 4 anos de um câncer agressivo.
Eu a visitei ontem, não estava prostrada nem inconsciente, estava de pé e lúcida, embora respirando com alguma dificuldade. Mas câncer é câncer, então apertei bastante aquela cabecinha, sabendo que o cheirinho de cadela sapeca que esperei ainda sentir por anos só seria meu por mais alguns momentos. Não havia como operá-la nem fazer quimioterapia numa cadela daquela idade e com uma quase falência renal. Nem uma biópsia ela aguentaria. Sabíamos que morreria, saí de lá apenas matutando quantos dias ainda teria antes de sacrificá-la.
Eis que minha loirinha tomou a frente, morrendo por conta própria, às 6 da manhã de ontem.
E parece até que foi o diagnóstico e não a doença que a matou. A cadelinha que entrou no carro do meu pai pra ser internada ainda bem ativa, abanando o rabo e com as próprias forças, morreu ontem de manhã, dois dias depois de fazer os exames.
Cheguei em casa e soube. Em silêncio, lavei sua vasilhazinha de comida, sequei e pus ao lado da outra vasilha, a do meu Elliot, um pouco maior. Agora estão ambas no alto do armário juntas, lado a lado.
Como estarão sempre os dois, meu gordo e minha loirinha, juntos, nas minhas lembranças.
Achei que ficaria mais tempo com você, loirinha, mas não escolhemos, né?
Mais cedo do que pensávamos, nosso quintal ficou completamente vazio.
Adeus, minhas duas estrelinhas ;(
On May 12 2011
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