SEM SUBMISSÃO
No temperamento, o Afghan faz jus à fama de "distante". Mas não se entenda por isso um cão pouco ligado ao dono. Muito pelo contrário. Charles Harrisson no livro O Afghan Hound, comenta que a raça elege o seu dono por volta dos 5 meses. Se depois desta fase for afastado dele, chega a recusar comida e pode ter alterações de comportamento.
José Altair Azevedo de Moraes, do Canil Hilmand's, Vitória - ES, conta que no início da sua criação chegou a vender uma fêmea de nove meses, dócil e tranqüila. Com o novo proprietário tornou-se chorona, destruía as coisas e sempre tentava fugir. Acabou sendo vendida para outra pessoa, que também a passou adiante pelas mesmas razões. Cinco meses depois, a solução foi voltar para o primeiro dono. "Assim que me viu ficou literalmente histérica de alegria e seu comportamento voltou ao normal", recorda José.
Na verdade, a típica independência da raça pode passar a falsa idéia de desinteresse em estar junto aos donos. O Afghan não exige muita proximidade física. Como diria Charles Harrisson: "mantém contato constante, mas de longe". Não é daqueles que solicitam atenção, pulam e festejam os donos. Quando quer expressar carinho não é efusivo. "Os meus me recebem roçando seus corpos delicadamente em minhas pernas, depois vão cuidar da vida", comenta Georgina Guimarães, do Canil dos Guisos, Rio de Janeiro - RJ.
Além do mais, o Afghan nem sempre - ou melhor, quase nunca -, atende quando é chamado. Apenas olha para o dono e continua fazendo o que quer. É a sua natureza auto-suficiente. Harrison vai mais longe. Conta que quando se tenta pegar um Afghan é comum ele obrigar a pessoa a caçá-lo por uns cinco minutos. "Parece querer reafirmar sua independência; apenas quando desistimos cede e vem ao nosso encontro."
O Afghan não se submete a ninguém. Neste ponto os criadores são categóricos: quem quer um cão que prime obediência não pode ter um Afghan. " Embora compreenda, e muito bem, o que os donos esperam dele, obedece apenas quando sente vontade", diz Renata Prieto, juíza especializada na raça.
Por não atender as vontades das pessoas que o cercam, o Afghan ficou em último lugar entre 133 raças na capacidade de obedecer, segundo o livro The Intelligence of Dogs, do canadense Stanley Coren. Resultado: confusão. A grande imprensa divulgou sem maiores receios que o Afghan era a raça mais burra do planeta. Acontece que inteligência e obediência são coisas diferentes e muitas vezes não andam juntas. Tendo em vista as origens do Afghan, se fosse muito obediente e submisso aos comandos humanos, aí sim, seria burro. O forte da raça é a capacidade de resolver problemas, enfrentar novas situações e agir estrategicamente diante delas, sem a ajuda de ninguém. No Afeganistão, região montanhosa onde se desenvolveu com a principal finalidade de caçar animais de grande porte, o Afghan tinha que se virar sozinho. O caçador não comandava nada, apenas o seguia. O cão era o senhor da situação. Decidia o caminho, desviava dos desfiladeiros e outros obstáculos comuns ao terreno acidentado das montanhas. Além disto, conforme descreve a bibliografia, parece que a raça chegou ao Afeganistão com povos nômades que passavam por lá a caminho da China e Índia.
Nesta época, o Afghan teria desenvolvido artimanhas de sobrevivência. Aprendeu a roubar alimentos, preciosidades e até cavalos, sem ser surpreendido. Talento este que todos os exemplares, sem exceção, demonstram até hoje. " Certa vez estávamos lanchando e um deles conseguiu surrupiar da mesa um pacote inteiro de pão de fôrma, sem que ninguém percebesse", lembra Ydenice Ribas Luiz Vianna, do Akhenaton Kennel, Guapimirim - RJ. "O Afghan se mantém dissimulado até surgir a oportunidade, quando então age de forma rápida, eficiente e silenciosa." A criadora acrescenta ainda que se for pego em flagrante, solta o objeto e faz uma cara de "quem, eu? Imagina!". Sônia Costa Pereira, proprietária de quatro Afghans, também se mostra impressionada com a astúcia da raça. Recorda que um deles chegou a abrir a geladeira para pegar comida. "Outro, para dormir no meu travesseiro, vai até a porta do terraço, como se quisesse sair: assim que levanto para abri-la, corre e se deita no meu lugar."
Revista: Cães & Cia
Reportagem: Mariana Viktor e Rodrigo Flores.
* Foto: Hubert de Givenchy com o seu Afghan Hound, 1955.
On April 15 2008
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navarras
On 14/05/2008
esse último paragrafo é completamente verdadeiro. a minha roubava e fazia cara de quem não entendeu a bronca... kkkkkkk
30_d_marzo
On 16/04/2008
..
Uyyy se parece a mi Miel......mi afganita hermosa....:),...lindo fotolog..
Saludos desde Chile.
horsejumps
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