Cada ser tão solitário tem um sertão no peito
Tem saudade do sábado, do sófa, do travesseiro
E corre a rua no seu carro, segue o ritmo da irritação
Arrisca ser mais rápido que o relógio,
que a rotina, que o seu rumo, que o roubo do ladrão
E no sinal parado, procura o vôo de um pássaro
Que more com os segredos de céu
E se sente cansado e só
Imenso sonho de saudade
Cúmplice no sofrimento do são cidadão
E sobe a antena mais alta
E vê que estranha beleza é essa cidade
Do sensato soldado de segunda
Do sono e do sol
Que procura uma sombra de poluição
Enquanto desce o precipício
Nem percebe que os prédios cresceram
Mais do que o olho alcança
E vai pra rua descobrir sua reta, sua rosa
Arranhar o céu com a mão
E desce sozinho a antena mais alta
Segue o ritmo da irritação
E sobe a segunda, no sinal, parado
O pássaro, o prédio, a sombra do sertão
O sono, o sonho, o sofá, a saudade...
Sozinho no sábado e domingo
Perdido na imensidão
Se sente cansado e só
Não sabe os segredos do céu
On March 25 2008
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