Não consigo mais rabiscar uma linha no caderno, não consigo pensar em frases que tenham sentido, não consigo mais escrever; nem sobre as árvores, nem sobre o vento, sobre os pássaros, e até mesmo sobre a dor; não há mais razões, não há mais inspiração, não há mais vontade. Esse é o último texto que escrevo. Me sinto inútil a cada linha que passa, pois tudo está bem aqui dentro, cada palavra organizada delicadamente pelo meu coração com uma grande ajuda do cérebro; coisa que nunca aconteceu antes; cada palavra escolhida, selecionada e pensada. E novamente tudo perde o sentido, as palavras, as frases, o texto, eu. Vou tentar recomeçar. Você é o meu texto, as minhas palavras ensaiadas (mas que nunca necessitaram de ensaios); são apenas palavras de um coração para outro coração. Você é o meu enredo, a minha estrofe, a minha vontade, a minha inspiração. Dizem que eu devo te esquecer, dizem que eu devo te tirar de mim; que eu preciso arranjar uma outra companhia qualquer, outros abraços, outros beijos, outras vidas. Mas não faz sentido. Não se tira do corpo o que se eternizou na alma. Voltei a beber, viver na incrível doideira gerada por uma garrafa, ser mais feliz externamente mergulhando na tristeza que existe interiormente. Logo te procurarei novamente em mim, no cantinho infinito que vive trancado e lá te acharei. Intacto. Perfeito. E não mais meu.
@_biamosley
On May 22 2012
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