Acordou às 6 com o telefone tocando
- Porra.
Tira do gancho, derruba tudo da cabeceira e ouve:
- Te acordei?
- É.
- Desculpa, eu precisava falar com alguém.
- Hum...
- Terminei o livro agora e aquilo mexeu comigo, cara. Não sei, to com um negócio estranho dentro do peito...
- Deve ser sono...
- Não, cara é sério. Tô falando a real.
- Eu também to falando sério. Eu sei o que é sono. Bastante! Como nesse exato momento. É sono isso aí, vai dormir.
- Não! Não! Imagine o cara ter escrito aquilo tudo em mil novecentos e comecinho. É muita carga emocional, histórica, o cara conseguiu sair do plano que ele tava, se distanciou, sentou numa pedra na lua e ficou refletindo sobre aquilo e ainda assim conseguiu discutir isso com os grandes teóricos daqueles mundinho que ele tava vendo de longe, lá da Lua (ou era de Saturno que eu falei?), enfim. É uma compreensão muito grande duma atualidade que nem mais ele faz parte, mesmo fazendo. Me compreende?
- Não. Tu tá drogado?
- Tô, mas essa não é a questão.
- Velho, são ...(olha no relógio caído no chão)..porra, 6 da madrugada e tu me acorda pra falar dum cara que escreveu umas coisas aí e ...meu, você falou que o cara escreveu da Lua...! ah não, me deixa dormir...da Lua? Jesus! Toma um rivotril aí e dorme.
- O negócio da Lua não aconteceu de verdade, era só pra explicar meu pensamento. Tu já pensou em transcender esse momento que a gente tá vivendo agora, entrar em outra percepção e ver como numa fechadura externa tudo que acontece, mas também com uma abertura da mente incrível pra deitar sobre isso uma série de incontáveis reflexões?
- (...)
-(...)
-(...)
- Cê tá aí ainda?
- Tô refletindo meu sonho.
On February 06 2011
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