+ Zero Zero em Taubaté. Por Fernando Lalli.
"You can't hurry love
No, you just have to wait
She said love dont come easy
It's a game of give and take
You can't hurry love
No, you just have to wait
You got to trust, give it time
No matter how long it takes"
Assim já cantavam Diana Ross e as outras duas Supremes lá nos anos 60. Em tempos de busca desmedida pela instaneidade de notícias e reações e sentimentos, a maioria das pessoas se perde no meio de tanta ansiedade. O que precisamos é justamente do contrário. Sem pressa. A balada - que abriria às 21h - ainda não tinha a sua bilheteria aberta às 22h30. Sem pressa, afinal nem a cerveja estava no freezer [todo mundo tomou cerveja quente a noite inteira]. Sem pressa também estava o público, que foi aproveitar o ínterim desse atraso pra tomar uma Heineken nas conveniências dos postos de gasolina ao lado da Deluxe. E todos perderam a noção do tempo, só entrando na balada depois das 0h.
Roman's Field tinha que começar às 23h30. Mas a outra banda de São Paulo ainda não tinha passado o som da bateria. E não tinha ninguém pra ver o show. Sem pressa, esperemos o povo entrar. Enquanto isso, eu, que não sou empresário do Roman's Field, sou interpelado constantemente sobre o atraso dos meninos Romanos. Ouço e respondo pacientemente que "não posso fazer nada". Claro: não tenho o poder de teletransportar todo mundo que esperou a bilheteria abrir [e foi pras conveniências] para a beira do palco. Muito menos posso culpar o Roman's Field por atrasar seu show em 45 minutos esperando que alguém entrasse para vê-los - sendo que toda a organização do evento atrasou TRÊS HORAS antes deles. Mesmo assim, o trio das cordas bucólicas cortou metade do setlist e tocou por apenas 22 minutos [das 0h45 às 1h07, de acordo com o meu relógio]. Com pressa. O Roman's Field não faz show pra se ver com pressa. Tentavam salvar algo do tempo que havia escapado a todos. Se tivessem começado montar suas coisas às 0h [momento em que a bateria terminou de ser "passada"] e tocassem seu setlist normal, daria quase no mesmo.
A Interlúdio veio na sequência com sua levada suave, com fortes ecos de Teenage Fanclub e Pavement. Rock sem pressa, nada atravessando os 120bpm. Fez o setlist normal de quarenta e poucos minutos e agradou geral. Quem não parecia muito contente era a outra banda de São Paulo, que bateu o pé para que o programa das bandas fosse alterado. Só que, independente de qualquer interesse, não havia como o The Vain e o Seamus cederem seus horários. Bruno, vocal do intrépido The Vain, não estava com pressa. Mas teria que entrar para trabalhar às 6h da manhã no sábado. Pior: tinha tocado em São Paulo na noite anterior e não teve nem tempo para dormir. Assim como também tinha que trabalhar logo cedo o José, le drummer du Simmons [como alguns chamam a nossa banda, falhando miseravelmente ao tentar a pronúncia correta com empáfia]. A Embraer queria o Zé batendo cartão às 5h30. Sem mencionar outros membros das duas bandas que trabalhariam sábado de manhã. E já passava das 2h da manhã. Tempo, tempo, mano velho. E ingrato.
A outra banda de São Paulo não gostou. Recolheu os equipos e foi embora. Tudo bem. Não fiquei sabendo de ninguém ali que estivesse exclusivamente para vê-los. Estavam com pressa. E pressa não está combinando com a vibe geral, aqui.
Então, The Vain e Seamus fizeram seus shows com pressa. Claro que daria errado. Problemas no som do baixo para o The Vain logo na segunda música. Quando apelaram à malemolência [e, claro, à falta de pressa] de "Modern Kidnapper", começou a dar tudo certo - uma volta por cima que segurou todo mundo na frente do palco. E já era quase 3h15 da manhã quando começamos a tocar "Red". O Linari gosta. Mas ele não estava lá. Estavam, sim, umas vinte pessoas entre namoradas e amigos e uns gatos pingados que entraram exclusivamente para nos ouvir. E tocamos nosso setlist bizarro, com músicas emendadas e dois finais falsos. Terminamos perto das 4h da manhã. E não tinha mais quase ninguém nos outros ambientes da balada. A cena era muio estranha. Saí do palco para pegar uma cerveja e o bar, comumente lotado ainda àquele horário, estava vazio. E a cerveja ainda estava quente. O freezer também estava sem pressa de esfriar, afinal.
Ao levar os Georeanos e Bernal em Pinda, The Creation me perguntava: "how does it feel to feel?". Bernal tem uma frase ótima: "quem corre no trânsito é porque ouve música ruim no carro". The Creation não me dava pressa alguma em voltar pra casa. Entre todas as pragas que nos assolavam aquela noite, era estranho não querer que tudo acabasse logo. Mas eu seguia suave na estrada de volta pra casa, com aquelas guitas psicodélicas que me levantavam acima de todas as maldições de MAIS UMA noite em que Taubaté chutou a cara daqueles que tanto a amam.
Boa noite, Taubaté. Até nunca mais.
[Setlist]
Red
Blame
Modern Dance
In These Days
When I Quit My Lens/Experiences, pt. II
Hate Campaign
On August 24 2009
3 Views
gabsyyy
On 25/08/2009
Eu roubar cerveja de alguém, Boi? Nunca. A sua eu roubaria já que te odeio.
Beijo e até sábado.
:}
aimless_s
On 24/08/2009
nossssssssssssssssssssssssss cerveja quente é horrivel D:
nem o freezer coperou c vcs ! D:
q horror....
irei no óbvio sábado ;D
obrigada pelo apoio mais hj quase morri d medo e lkiguei avisando que eu não ia dar ualas d geografia!
A mulher engoliu ._.
enfim...até sábado Seamus :)
:*
romatrip
On 24/08/2009
mais vale ressaltar que o cara que deu a "canelada" no andré não foi o que fez o som dessa vez.... a maior parte da culpa não foi do cara do som, ta certo que eles mandaram mal mais rolo uma juvenilidade lá... mais isso seria o de menos com todo o resto que aconteceu...
ps: se fosse o cara que chutou o andré seamus e roman's field não tocariam.
padovanisdeath
On 24/08/2009
O cara de som de taubaté já é famoso aqui em mogi tb, ao chutar e agredir nosso ilustre André Marques, na época mentecapto...
eu diria 3 urras pro cara do som, ou 3 surras, oq acham???
Meus caros amigos do vale, sábado agora eu lhes garanto que calor humano não vai faltar!!!
É nois!!!
pedrofusco
On 24/08/2009
Um detalhe q naum foi dito: Quando eu subi no palco, regulei o cabeçote pra tocar com o baixo passivo, o som ficou bem bacana, ae o cara da mesa foi la mexeu na porra do cabeçote dizendo q ia regular na mesa...conclusão...tive q tocar com o baixo ativo o show inteiro, procurando uma maneira de fazer o som sair bacana.
3 vivas ao cara do som.
lacarne_
On 24/08/2009
pô, 4 da manhã e cerva quente? aí é demais. Enforquem todos! hahaha. Tâmozaí brother.
_seamus
On 24/08/2009
Foto: Thami Rainbow
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_PRÓXIMO SHOW!
Dia 29/08, sábado, LUMIERE FESTIVAL!
+ SEAMUS [tté/pinda]
+ HIEROFANTE PÚRPURA [mogi/sp]
+ GIN TONICS [pinda]
+ REFLUXO [sp]
+ THE ROMAN'S FIELD [tté]
Discotecagem: LUIZ KALIL
Na Cervejaria Óbvio, em Pindamonhangaba
Endereço: R. Prudente De Moraes, nº 222, Centro, próximo ao Fórum.
Às 19h, entrada a R$5.