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Foram 72 horas de espera, espera de retaliação. Uma espera onde a única vingança possível contra o tempo era tentar de tudo para qualquer coisa que alegrasse, qq coisa q mata-se o tempo e sua contagem regressiva para se fuder, porque era isso q haveria no final dessas delicadas e bem provadas (como foram) horas. E a única esperança era, então, a vingança não-direcionada, não direcionada quanto ao objeto suposto do qual se deveria vingar (o cumprimento das normas regulamentares de disciplina da instituição à qual eu pertencia), mas uma vingança espalhada, desfocada contra, não uma “ordem” estabelecida qualquer, mas contra o mundo. Como disse, valia tudo: (podia ser um contratempo qualquer) uma mulher para se beijar, um cachorro para brincar ou chutar, um cigarro, um atropelamento (em mim, de preferência), um velho viado tarado tentando me levar pra passear, uma discussão de trânsito, falta de luz, chuva de granizo, roubar alguma coisa. Nessa vingança desejada o q se queria era, não se-fuder mais (“se acabar com minha vida...”rsrsrs), mas não se-fuder-mais mesmo que arriscando e tirar um lucro do mundo, pq ele estava me devendo. Me devendo pelo que eu ainda ia dever (e pagar): a instituição à qual eu pertencia me trataria tanto com o rigor da sua lei (e minha), o que era a certeza da minha exclusão da prisão q me fazia feliz e q me promoveria um futuro promissor, ao menos em teoria, quanto com o rigor de sua não-lei, exercida por seus foras-da-lei ocasionais e estavelmente dentros-da-lei, o q significava q eu iria pagar um preço dobrado pela desilusão q a instituição tivera comigo, uma coisa passional mesmo, um crime de amor q os ainda institucionalizados fariam com o ainda-institucionalizado (em vias de...) por sua traição. Dupla dívida a ser paga. Sem contar q essas 72 horas seriam em pleno carnaval (eu numa fuga louca rumo à meu calvário, correndo para chegar a meu julgamento). Bem, o mundo me deu duas mulheres. É, o lucro é sempre mínimo, mas pelo menos ele há: e não é por causa de uma ação, uma vontade mas de uma afronta. Na primeira viagem dessa corrida maluca de volta pra casa, eu avistei uma coroa gostosa, mocreienta (mas digo isso sem preconceito ou estigma, apenas uso uma palavra q descreve bem) no mesmo ônibus. Ao lado dela, um lugar vazio. Essa formula era catalizadora de “encontros”, dada a situação de vendetta, e do vazio surge Eu. “Ai q susto” ela disse. Foi um inicio nervoso: a adrenalina, ou melhor, o fluxo de energia tremedor estava não só em mim mas no ambiente: tudo dava choque, cada toque, cada palavra. E isso é efeito do acaso. “oi” “eu estava te olhando sozinha aqui e tb não conseguia dormir e pensei em conversar... pq é melhor q ficar em silencio...” as palavras eram idiotas mas esse falar era uma ação extraordinária, não digo de muita coragem, mas de muita ignorância e uma ignorância fascinante. Eu rompi o hímen de silencio e de sono e de sonambulismo do ônibus, de letargia e satisfação daquela viagem dentro da chuva de verão com suas luzes semimortas de “durmam bem passageiros” e carpete gasto no chão. “nossa! rsrsr” não precisava mais nada. Conversamos “pra vc tah indo?” e blablabla até o ponto decisivo da conversa onde fiquei sabendo q minha amiga-passageira tinha 54 anos. “qtos anos vc tem?” ela me disse do nada, se precipitando. Esse era o sim dela, o pelo menos iria ser, ela so queria saber o q estava fazendo e iria fazer. Assim o mundo me deu a primeira graça: um pouco de sacanagem, nervosismo e risos com uma senhora incrédula em si mesmo e no q fazia de 1948. Mas bem q gostou ou pelo menos se divertiu, dane-se, a única coisa q importa era a vingança, e não eu ou ela. Soube, num beijo interrompido por descrença, q ela tinha um filho da minha idade (ela disse), soube q ela não tinha um dente do lado esquerdo no final, quase não aparecendo, do sorriso (eu vi). As horas passaram e chegamos à nosso (pois eu não era o único, mas apenas o mais obstinado em se vingar de meu pequeno bando de se-fudendores) ponto e ela iria saltar em outro – embora isso fosse um ônibus de viagem, parava no caminho – dois “tchaus” disparam um contra o outro em clima feliz.




On March 12 2006 7 Views



Avatar shamelo69

shamelo69 On 20/11/2007

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turma61 On 06/11/2007

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darkwolf13 On 20/10/2007

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brigada3 On 05/10/2007

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deft0nes_rules On 07/08/2007

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nerak_lokis07 On 02/08/2007

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ch4rly On 26/07/2007

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Marília On 21/12/2006

artu... suas histórias são legaisescreve mais algumas, pô...


Avatar sk8glauco

sk8glauco On 29/07/2006

é melhor lido do que sabido. Bunito assim cheio de alegorias, uma história de carnaval. hahahahaha


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karmajam On 26/03/2006

Olá,Estamos procurando baixista e baterista, q tenha influências de bandas como: Queens Of The Stone Age, Strokes, Foo-Fighters, Alice in Chains e som alternativo....que toque porrada! Temos material próprio e procuramos alguém realmente interessado, com experiência.O trabalho é sério.O link mp3 da banda:<A HREF="http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=29176" TARGET=_top>http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=29176</A>Contatos: karmajam_@hotmail.comSaudações Rock


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barbararocha1984 On 23/03/2006

Porra artu!faz uma propaganda!nem seus amigos entram aki, kct!


Avatar giulie

giulie On 13/03/2006

ai, sou muito preguiçosa e tô com sono. hahahawelcome back!!:*


Avatar barbararocha1984

barbararocha1984 On 12/03/2006

pow!adoro suas historias...msm ficando com um ciuminho...rrssrsrs


Avatar 00z

00z On 12/03/2006

Todos escolhem lugares, eu não esperava nada, nenhum alvo a vista, todos na defensiva, o ônibus já tinha começado há andar um tempo, entrou na estrada e passa do nada aquela morena: ela pára à 2 horas de mim no banco do outro lado, na janela. Isso pra quem sabe ler os signos, a troca de banco, a segunda escolha no ônibus em movimento, não é uma simples troca, é um pedido. O tarado era eu. Sentei ao lado dela e puxei assunto. O mesmo. De novo. Viemos conversando bobagens agradáveis “e o carnaval?” “faz o q?” “vc esta bonita hein?rsrrs” e de repente Pum! Apaga a luz do ônibus e eu coloco minha mão no dorso dela e a outra segura sua mão e chego perto para um beijo e ela fecha os olhos e nos beijamos, tudo isso simultaneamente, ate q a luz acende de novo e damos uma risada e voltamos a beijar. “Já tinha te visto desde a rodoviaria”, ela disse. Depois, no cárcere do pos-72horas, num momento de paz, ou seja, naqueles minutos antes de dormir quando está tudo apagado e só a luz do corredor acesa e o dormitório todo vazio em pleno carnaval, no silencio do mundo anoto no meu caderno ao lado do nome dela “vagabunda de primeira” como quem diz “perigo”.


Avatar 00z

00z On 12/03/2006

Procuramos nosso próximo ônibus e já estava mais tranqüilo: clima de carnaval nas ruas e naquela rodoviária, todo mundo lá meio-fugindo e de repente cruzo com umas dessas mulheres malucas corajosas q vestem roupas q eu teria medo de usar num mundo de estupradores e tarados de plantão loucos por qq coisa movente ainda mais no carnaval, (preconceito), andando sozinha, perdida como todos na rodoviária. O gordão sem camisa com cerveja na mão e suor velho no corpo q gruda confetes gostou dela: morena, cabelosencaracolados longos, calça de “couro” de plástico preta coladinha baixa no rego + camisa colada com as costas todas à mostra cortada por fios segurando a frente, bem apertada com decote medio pra grande + rosto bonito de vagabunda. Ficou olhando tanto qpensei q ele estava com ela. Chegou nosso intermunicipal noturno (o q quer dizer q demorou, especialmente praqueles q perderam o ultimo e não pro meu bando, q deu sorte).


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